Ações do BRB caíram 36% desde que BC barrou compra do Master

A queda se intensificou com a prisão de Daniel Vorcaro, dono do Master, e a liquidação da sua instituição, em novembro

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Ações do BRB caíram 36% desde que BC barrou compra do Master

Foto: Agência Brasília

JÚLIA MOURA - As ações do BRB (Banco de Brasília) estão em trajetória de desvalorização na Bolsa de Valores desde que o Banco Central barrou sua tentativa de compra do Banco Master, em agosto de 2025, acumulando perda de 36,5%. No mesmo período, o Ibovespa subiu 25%.

A queda se intensificou com a prisão de Daniel Vorcaro, dono do Master, e a liquidação da sua instituição, em novembro. Naquele mês, as três principais agências de classificação de risco rebaixaram a nota de crédito do Master, citando preocupação com sua governança. Desde então, os papéis recuaram 11,4%.

Como mostrou a Folha de S.Paulo, antes de o BC rejeitar a operação, o banco estatal do DF adquiriu carteiras de crédito do Master que, segundo investigadores, se mostraram fraudulentas, decorrentes de empréstimos inexistentes. O valor dessa fraude, segundo investigação da PF, chegou a R$ 12,2 bilhões.

Conforme o ex-presidente do BRB, Paulo Henrique Costa, afirmou em depoimento à PF, parcela significativa desses recursos foi devolvida ao BRB pelo Master. Assim, o saldo negativo da transação estaria em pouco menos de R$ 2 bilhões. A transação segue sob investigação.

Parte da liderança do BRB foi afastada da instituição, que, inclusive, visa trocar membros do conselho de administração.

Segundo a Fitch, as investigações e o afastamento de executivos elevaram o risco da estatal. "As investigações podem afetar significativamente o balanço, a capitalização e a franquia da entidade", diz o mais recente relatório da agência sobre o BRB, de 25 de novembro.

Ainda segundo analistas da Fitch, que piorou a avaliação de crédito do banco de B- para CCC, há "incertezas quanto à dimensão e ao impacto financeiro finais da alegada fraude", que deixam o banco em observação negativa pela agência.

Depois de também rebaixar a nota do BRB, de A para BBB-, a Moody's retirou todas suas avaliações acerca do banco por pedido do próprio BRB.

Antes, em sua última avaliação, analistas da Moody's afirmaram que apesar da possível piora no perfil de risco e rentabilidade do banco em decorrência da investigação, o BRB deve conseguir gerenciar a sua liquidez nesse primeiro momento devido aos recursos captados com servidores públicos, entidades relacionadas ao Governo do Distrito Federal e depósitos judiciais.

O relatório da agência de rating também destacava que o capital regulatório do banco estava enfraquecido, o que oferecia uma proteção limitada contra possíveis perdas.

"Em junho de 2025, o banco reportou um índice de capital nível 1 de 9,4%, apenas 0,9 pontos percentuais acima do mínimo regulatório, e um Índice de Basileia de 13,9%, 3,4 pontos-percentuais acima do requerimento", disse a Moody's.

Segundo informações disponíveis no Banco Central referentes ao terceiro trimestre de 2025, o BRB tinha um patrimônio líquido de 4,3 bilhões e uma carteira de crédito (empréstimos e financiamentos concedidos) de R$ 49,9 bilhões. Já o lucro líquido do período informado é de R$ 181 milhões.

Em 28 de novembro, a S&P também rebaixou o rating do BRB de A-/A-2 para BBB-/A-3 e manteve as notas sob observação "com implicações negativas".

A agência vê a possibilidade de as investigações se estenderem por um período prolongado, o que poderia desviar o foco do banco de suas atividades.

"Além disso, o risco reputacional, somado às fragilidades de governança, deve afetar a confiança dos clientes e investidores e, em última instância, reduzir a capacidade do BRB de manter margens financeiras saudáveis, encarecer o custo de captação e limitar sua expansão. No agregado, esses fatores devem representar desafios materiais à rentabilidade do banco nos próximos trimestres", diz o relatório da S&P.

Os analistas também afirmaram esperar volatilidade no custo de financiamento do banco, com "menor capacidade de captação em condições similares às anteriores à investigação". Ou seja, o custo operacional pode aumentar.

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