Banco Master: confira a cronologia atualizada do escândalo de corrupção
Prisões, investigações, delações e o financiamento do filme Dark Horse ampliaram a crise

Foto: Divulgação/Banco Master
O caso Banco Master segue produzindo desdobramentos e, nos últimos três meses, acumulou uma série de fatos que ampliaram a crise envolvendo a instituição financeira de Daniel Vorcaro.
Prisões, novas frentes de investigação, tentativas de acordo de delação premiada e revelações de que o banco financiou o filme Dark Horse, uma cinebiografia do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), passaram a integrar a cronologia do maior caso de corrupção financeira da história recente do país.
A seguir, a atualização da cronologia do Master feita pelo Farol da Bahia com os principais acontecimentos registrados entre março e 1° de junho de 2026.
Confira:
• 4 de março: Vorcaro é preso novamente, acusado de continuar operando o esquema e interferindo nas investigações.
• 5 de março: O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), André Mendonça, relator do caso, autoriza a transferência de Vorcaro para a Penitenciária Federal em Brasília. No mesmo dia, vem a público relatório da PF apontando conversas intensas de WhatsApp entre o banqueiro e o ministro Alexandre de Moraes durante sua primeira prisão, em novembro de 2025.
• 6 de março: Um dos principais aliados do banqueiro morre após tentativa de suicídio na prisão.
• 13 de março: O STF mantém a prisão preventiva de Daniel Vorcaro. A defesa avalia acordo de delação premiada.
• 13 de março: Daniel Vorcaro troca a equipe jurídica, com a saída de Pierpaolo Bottini e a entrada de José Luís Oliveira Lima.
• 18 de março: A defesa de Vorcaro sinaliza a possibilidade de o cliente firmar acordo de delação premiada após reunião com André Mendonça.
• 19 de março: Após a Segunda Turma do STF manter sua prisão preventiva por maioria, Vorcaro assina um termo de confidencialidade e inicia negociações para um acordo de delação premiada com a PF e a Procuradoria-Geral da República (PGR).
• 16 de abril: A PF deflagra a 4ª fase da Operação Compliance Zero. Na ocasião, é cumprida a prisão preventiva de Paulo Henrique Costa, ex-presidente do Banco de Brasília (BRB). A PF reúne provas de que ele recebeu propinas milionárias de Daniel Vorcaro para facilitar e estruturar a tentativa de compra do Banco Master.
-O advogado Daniel Monteiro, ligado a Vorcaro, também é preso preventivamente sob a acusação de operar os repasses e a lavagem de dinheiro do esquema.
• 28 de abril: A PF concentra esforços no bloqueio e rastreamento de R$ 50 bilhões em patrimônio de Vorcaro para cobrir o rombo financeiro. A lista inclui jatinhos, carros de luxo, embarcações e joias.
• 5 de maio: A defesa de Vorcaro oficializa e entrega o material preliminar da delação premiada, armazenado em um pen drive, à PF e à Procuradoria-Geral da República (PGR).
-O documento cita encontros, viagens e festas envolvendo políticos da esquerda, da direita e do Centrão. Além disso, Vorcaro admite um contrato de R$ 129 milhões com o escritório de advocacia da esposa do ministro Alexandre de Moraes, alegando busca por aproximação, mas sem troca de favores.
• 13 de maio: O caso explode no cenário pré-eleitoral. O senador e pré-candidato à Presidência da República, Flávio Bolsonaro (PL-RJ), admite ter solicitado recursos a Vorcaro para financiar a produção do filme "Dark Horse", uma cinebiografia sobre Jair Bolsonaro. Também é revelada uma transferência de US$ 2 milhões para um fundo ligado a Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos.
• 18 de maio: Vorcaro perde temporariamente o direito à sala de Estado-Maior e é transferido para uma cela comum após desentendimentos jurídicos.
• 20 de maio: A PF rejeita formalmente a primeira proposta de delação de Vorcaro por considerá-la insuficiente.
• 22 de maio: O ministro relator no STF, André Mendonça, mantém a prisão preventiva de Daniel Vorcaro e nega pedidos de prisão domiciliar. No entanto, autoriza a transferência do banqueiro para uma sala de Estado-Maior na Superintendência da PF em Brasília, a fim de garantir melhores condições de custódia e facilitar o acesso dos advogados.
• 22 de maio: Vorcaro troca novamente a equipe jurídica. Sai Juca e a liderança passa a ser exercida por Sérgio Leonardo.
• 26 de maio: O deputado federal Lindbergh Farias (PT) aciona o STF solicitando a abertura de uma Notícia de Fato para investigar formalmente o clã Bolsonaro e o fluxo de dinheiro proveniente do ex-dono do Banco Master.
-No mesmo dia, relatórios da PF expõem a proximidade de Vorcaro com o ex-governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro, apontando o custeio de um evento de US$ 1 milhão em Nova York na véspera de aportes bilionários do Rioprevidência no banco.
• 28 a 30 de maio: Após a primeira tentativa de delação ser recusada, a defesa de Vorcaro muda de estratégia. Com o criminalista Sérgio Leonardo à frente do caso, o banqueiro pede formalmente à PF a reabertura das negociações. A nova oferta sinaliza a devolução histórica de R$ 60 bilhões e o detalhamento de operadores políticos.
• 1º de junho: A PF e a PGR dão um ultimato a Daniel Vorcaro para apresentar uma nova proposta de delação, enquanto o ministro André Mendonça avalia fixar um prazo para o encerramento das negociações. A PF também estuda acionar a difusão prateada da Interpol para identificar e congelar ativos remanescentes do banqueiro no exterior.
Confira abaixo no infográfico:



