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Brasil tem mais de 2 milhões de migrantes e refugiados, 415 mil deles com emprego formal, mostra relatório

O texto foi divulgado na última quinta-feira (30).

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Brasil tem mais de 2 milhões de migrantes e refugiados, 415 mil deles com emprego formal, mostra relatório

Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

GUILHERME BOTACINI

O Brasil tem pouco mais de 2 milhões de migrantes e refugiados no país, cerca de 415 mil deles com emprego formal, de acordo com relatório do Observatório das Migrações Internacionais (OBMigra). O texto foi divulgado na última quinta-feira (30).

As estimativas do OBMigra para o início de 2026 consideram no número total as pessoas residentes, temporárias, refugiadas e com solicitação de refúgio ainda em análise. O número corresponde a pouco menos de 1% da população do país.

Algumas nacionalidades são analisadas separadamente no relatório devido a sua relevância em termos de números absolutos e histórico recente, casos dos venezuelanos, haitianos, cubanos e angolanos.

No caso da migração venezuelana, a análise indica que, embora exista uma redução nos últimos dois anos do volume de registros de residência e refúgio de nacionais da Venezuela, isso não necessariamente aponta uma tendência de queda estável, em particular devido às incertezas sobre o cenário econômico no país vizinho.

O texto revela que há uma mudança no perfil demográfico desse grupo migratório, com maior participação de mulheres e, principalmente, de crianças de 0 a 14 anos nos dados mais recentes. "Independente do aumento ou estabilização dessa corrente migratória, algumas questões requerem atenção do governo brasileiro, sobretudo no que diz respeito ao número de pessoas do sexo feminino e daquelas entre 0 e 14 anos de idade, que normalmente estão entre os segmentos mais vulneráveis e demandam ações específicas", afirma o observatório.

O OBMigra reforça que o grupo migratório está espacialmente distribuído para além de Roraima, o estado fronteiriço por onde ainda chega a maioria dos venezuelanos. Ações do Estado brasileiro, segundo o observatório, devem portanto ser direcionadas para além de Roraima e abordar também essa população migrantes em locais como Amazonas e estados da região Sul. O relatório mostra também o grande aumento da chegada de cubanos ao Brasil, estimando que vivam hoje no país 84 mil cubanos. 

Inicialmente, os migrantes utilizam a solicitação de residência temporária, mas a partir de 2019 a via regulatória mais escolhida tem sido a da solicitação de refúgio —a um nível que superou a dos venezuelanos em 2025, com mais de 40 mil solicitações.

O texto do OBMigra trata ainda da presença e perfil desses imigrantes e refugiados no mercado de trabalho, no sistema de ensino e em políticas sociais, registrando por exemplo quantos deles possuem um Cadastro Único ou recebem benefícios como o Bolsa Família.

Os dados indicam que, de 2010 a 2025, segundo o observatório, o estoque de trabalhadores imigrantes cresceu em média 22,6% ao ano, passando de pouco mais de 50 mil em 2010 para 415 mil em 2025. Isso, no entanto, veio acompanhado de uma redução do rendimento médio desses trabalhadores: de R$ 15,5 mil em 2010 a R$ 4.500 em 2024. "A ampliação da participação dos trabalhadores oriundos do Sul Global no mercado formal de trabalhadores imigrantes produziu algumas mudanças em sua estrutura. A primeira delas é uma relativa concentração de trabalhadores nos grupos ocupacionais que se encontram na base da estrutura ocupacional", diz o texto.

"A segunda dessas mudanças está relacionada a uma possível inconsistência de status de alguns desses trabalhadores que, mesmo possuindo nível superior completo, encontram-se inseridos na base da estrutura ocupacional, em ocupações de menor qualificação e, consequentemente, com menores rendimentos", afirma o relatório.

No sistema educacional, chama a atenção o crescimento e alta proporção de imigrantes no ensino fundamental. São mais de 140 mil migrantes matriculados nesta etapa de educação, o que corresponde a 62,4% do total de matriculados; a segunda etapa de maior proporção é a educação infantil com 17,2%.

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