Casa da Bocaina realiza uma imersão coletiva inédita no país na arte da cerâmica sonora!

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Por Michel Telles
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Casa da Bocaina realiza uma imersão coletiva inédita no país na arte da cerâmica sonora!

Foto: Ruy Teixeira

Refúgio de hospedagem no coração da Serra da Bocaina (SP), a Casa da Bocaina será palco de um encontro inédito entre a arte cerâmica e a Mata Atlântica brasileira. Por meio de duas oficinas – que serão realizadas nos dias 17 a 23 de abril (esgotada) e entre 27 de abril 3 de maio – o espaço comandado por Betty Prado e Thamy Silva recebe a primeira edição no Brasil do Nómada Cerámica, projeto itinerante dos artistas visuais e ceramistas argentinos Julieta Bilbao e Martín Gastón Merlos.

Intitulada Máscaras Sonoras, a residência artística, desenvolvida para uma vivência coletiva com 12 participantes em cada um dos programas, propõe uma imersão na produção de instrumentos cerâmicos que combinam estética, ancestralidade e som, em diálogo direto com a introspecção da floresta e o silêncio inspirador da região.

Serão seis dias de ocupação criativa em cada um das oficinas, sendo: quatro dedicados à produção com barro; um à queima a fogo; e um às finalizações com cera. Ao longo do processo cada participante construirá sua própria máscara sonora, um objeto que funciona como sistema aerófono e câmara de ressonância, originário de culturas ameríndias da América Latina e de povos e grupos étnicos africanos. A experiência inclui introdução teórica, modelagem manual, brunimento e uma ação sonora coletiva.

Com mais de 400 atividades realizadas na América do Sul e Europa desde 2017, a chegada do Nómada Cerámica à Casa da Bocaina é resultado de uma conexão à distância que se consolidou ao longo dos últimos meses. Acompanhando o trabalho dos argentinos nas redes sociais, Betty e Thamy identificaram uma sintonia profunda entre a proposta do casal e a filosofia do refúgio.

"A Betty conheceu o trabalho deles no ano passado e ficamos muito impactadas. Nunca tínhamos visto algo tão potente dentro da cerâmica. É um trabalho único", conta Thamy Silva, que codirige o espaço com sua companheira. "Começamos a nos perguntar se seria possível trazê-los ao Brasil. Iniciamos uma conversa que levou meses, com toda a logística de deslocamento. Eles são muito criteriosos, mas desde o final do ano passado deixamos encaminhada a ideia e conseguimos concretizar."

Para Betty Prado, idealizadora da Casa da Bocaina, receber o projeto representa a materialização de um desejo que ela e Thamy cultivaram ao longo dos anos: o de transformar o refúgio em um ambiente de pulsação artística. "Receber a Nómada Cerámica pela primeira vez no Brasil é muito significativo para nós, porque reforça algo que está no coração da Casa da Bocaina: criar um espaço de encontro entre pessoas, saberes e tempos diferentes", afirma. "A presença deles amplia esse campo, trazendo novas referências e outras formas de olhar e fazer. Para nós, essa residência também é uma forma de afirmar a Casa da Bocaina como um território vivo de experimentação artística, sensível e aberto ao mundo, mas profundamente enraizado na paisagem e na experiência de estar aqui. A procura foi incrível, a primeira turma já está completa e conseguimos abrir uma nova data.", complementa.

Com uma piscina de pedra alimentada por nascente, sauna, cachoeira privativa e o Acquabox – cápsula de flutuação aquática em gravidade zero criada pelo multiartista Maurízio Mancioli –, a Casa da Bocaina já oferecia experiências como arquearia meditativa e ateliê de cerâmica com forno de chão colombiano. A chegada do Nómada Cerámica aprofunda a vocação do espaço de proporcionar vivências imersivas.

"A grande experiência da Casa da Bocaina é o tempo. Oferecemos diversas atividades, mas o que realmente transforma é viver outro tempo. O tempo do barro, do fogo, da espera", afirma Thamy. "A queima no forno de chão, com lenha remanescente, conecta com camadas mais profundas. Não é apenas estar em uma casa bonita na floresta; é um processo de reset. A cerâmica regula o tempo. Você não pode correr contra ele."

Essa compreensão temporal como parte essencial do processo criativo também está no centro da proposta de Martín Gastón Merlos, que enxerga na imersão prolongada um contraponto necessário à cultura da pressa. "Escolher dedicar seis dias a um processo criativo, do início ao fim, na presença e em contato com a natureza, é um ato profundamente valioso nos dias de hoje", reflete o artista. "A cerâmica nos lembra constantemente que o tempo é um mestre. A argila, moldada pela água, o ar que acompanha o processo de secagem, o fogo que transforma a argila em pedra – tudo requer escuta, observação e paciência. Em uma sociedade que exige velocidade, produtividade e resultados imediatos, propomos o desafio de habitar o processo, de incorporar essa temporalidade."

Julieta Bilbao, que ao lado de Martín conduzirá as duas séries de encontros, destaca o caráter singular de cada edição do Nómada Cerámica e a potência de realizá-la em um ambiente como a Serra da Bocaina. "Cada encontro que oferecemos é concebido como um espaço criativo único e cuidadosamente selecionado. Fornecemos uma proposta e orientação, mas o processo é construído coletivamente, em diálogo com o grupo e a terra. Isso torna cada experiência irreplicável", explica. "Realizar esses encontros em um ambiente como a floresta da Serra da Bocaina amplifica essa experiência. A paisagem, os ritmos da natureza e a presença da terra nos lembram de onde viemos e para onde vamos. É um convite para despertar a memória, para nos deixarmos permear pela energia do lugar e para nos reconectarmos conosco mesmos e com o coletivo."

A edição brasileira do Nómada Cerámica marca também um movimento de projeção internacional da Casa da Bocaina. Ao receber hóspedes de diferentes países e consolidar uma parceria com um projeto de trajetória consolidada na América do Sul e Europa, o refúgio passa a ocupar um novo patamar no turismo de experiência.

"Para nós, a residência Máscaras Sonoras é um marco. Inaugura uma nova fase ao receber artistas estrangeiros. A Casa da Bocaina deixa de ser apenas um destino no Brasil e passa a se posicionar para o mundo. Julieta e Martín diziam que também era um sonho deles estar no Brasil, e há nesse encontro uma dimensão simbólica importante: somos parte do mesmo território latino-americano. A cerâmica atravessa todo o continente, toda a cultura ameríndia", conclui Thamy.

A programação da residência artística Máscaras Sonoras inclui hospedagem e alimentação completas durante todos os dias de atividade, além de todos os materiais necessários para a produção das máscaras. As vagas são limitadas e as inscrições estão abertas no perfil oficial da Casa da Bocaina no Instagram (@casadabocaina).

Sobre a Casa da Bocaina

Situada a 1.600 metros de altitude, entre São Paulo e Rio de Janeiro, a Casa da Bocaina é um conjunto de quatro casas inserido em 37 alqueires de vegetação nativa, nos Campos de Altitude do Parque Nacional da Serra da Bocaina – área reconhecida como Patrimônio Mundial pela Unesco. Idealizado por Betty Prado, modelo internacional nas décadas de 1980 e 1990, e hoje conduzido ao lado de Thamy Silva, o refúgio oferece muito mais do que hospedagem: é um convite à reconexão com o tempo e a natureza. As acomodações – Casa Arco-Íris (3 suítes), Casa Caipira (2 suítes), Casa Cristal, Chalé e Ateliê Colmeia, e o mais recente Chalé da Pedra (1 suíte) – são equipadas com cozinhas estruturadas e contam com serviços de culinária e limpeza mediante solicitação. O espaço dispõe ainda de piscina de pedra com água de nascente, sauna com vista para as montanhas, cachoeira privativa (Cachoeira das Meninas), Acquabox, ateliê de cerâmica, aulas de arquearia meditativa, massagens e cavalgadas. Animais de estimação são bem-vindos, e a Casa está a aproximadamente 234 km de São Paulo e 244 km do Rio de Janeiro.

Sobre Julieta Bilbao

Fotógrafa, ceramista, gestora cultural e educadora argentina, Julieta Bilbao é cofundadora do projeto itinerante Nómada Cerámica ao lado de Martín Gastón Merlos. Especializada em cerâmica sonora e produção de eventos artísticos, investiga desde 2017 a conexão entre arte ancestral, escultura e música. Sua atuação transdisciplinar integra cerâmica, antropologia e educação, com ênfase na criação de objetos escultóricos sonoros inspirados em culturas ancestrais. Com mais de uma década de dedicação ao ofício, Julieta é referência na docência de cerâmica sonora e na realização de workshops, residências e conferências pela América Latina e Europa.

Sobre Martín Gastón Merlos

Artista visual, ceramista e professor, licenciado em Artes Plásticas com especialização em Cerâmica e Escultura pela FDA-UNLP, Martín Gastón Merlos é cofundador do Nómada Cerámica. Sua prática acadêmica e artística concentra-se na arqueologia experimental e na cerâmica sonora. Em projetos como a residência Máscaras Sonoras, investiga a relação entre território, matéria e ancestralidade, propondo imersões que articulam arte, natureza e contexto sociocultural. Com mais de 400 atividades realizadas na América do Sul e Europa, Martín integra referências arqueológicas e estéticas à criação contemporânea em cerâmica.

SERVIÇO

Nómada Cerámica na Casa da Bocaina - Residência Máscaras Sonoras

1ª Oficina 1: de 17 a 23 de abril de 2026 - esgotada

2ª Oficina: de 27 de abril a 3 de maio

Local: Casa da Bocaina (Serra da Bocaina, SP)

Programa: 6 dias de imersão (4 de produção, 1 de queima a fogo, 1 de finalizações)

Incluso: Oficina completa, materiais, hospedagem e alimentação

Quantidade de vagas: 12 por oficina

Inscrições: Perfil @casadabocaina no Instagram

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