Combustíveis disparam em Salvador acima da média nacional e reforçam discurso de reestatização, diz colunista
Valor está acima da média nacional

Foto: Marcello Casal Jr / Agência Brasil
O impacto da alta dos combustíveis tem sido sentido de forma mais intensa em Salvador, onde os motoristas enfrentam os primeiros e mais fortes reflexos do cenário econômico recente. Segundo análise do colunista Fernando Nakagawa, da CNN Brasil, os dados da inflação de março mostram que a capital baiana liderou o aumento nos preços dos três principais combustíveis: gasolina, diesel e etanol, e dá "munição ao discurso de reestatização"
Os números chamam atenção. Enquanto a gasolina subiu, em média, 4,59% no Brasil, em Salvador o aumento chegou a 17,37%. No caso do diesel, a disparada foi ainda maior: 23,83% na capital baiana, contra 13,90% no cenário nacional.
O etanol seguiu a mesma tendência. Mesmo sendo um combustível que não depende diretamente de importações, teve alta de 0,93% no país, enquanto em Salvador o avanço foi de 10,14%.
De acordo com o colunista, a explicação para esse descolamento está na Refinaria de Mataripe localizada em São Francisco do Conde. Privatizada e atualmente administrada pela Acelen, a unidade adota uma política de preços independente da Petrobras, o que faz com que as variações do mercado internacional sejam repassadas com mais rapidez.
Recentemente, o presidente Lula e o ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, defenderam a possibilidade de reestatização da refinaria. Segundo o ministro, a Petrobras e o fundo árabe Mubadala, que é dono da refinaria, conversam sobre a recompra "há anos".
Ainda conforme Nakagawa, o desempenho de Salvador acaba influenciando outras capitais do Nordeste. São Luís e Recife também registraram aumentos relevantes na gasolina, de 11,24% e 7,97%, respectivamente, mas ainda abaixo do patamar observado na capital baiana.
No diesel, o padrão se repete: São Luís teve alta de 19,32%, seguida por Recife, com 15,14%. Já nas regiões Sul e Sudeste, capitais como São Paulo, Rio de Janeiro e Curitiba apresentaram variações mais próximas da média nacional.


