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Combustível adulterado pode destruir o motor: veja como ele age nos componentes internos

Água, solventes e outros produtos são usados na adulteração

Por Marcos Camargo Jr.
Às

Combustível adulterado pode destruir o motor: veja como ele age nos componentes internos

Combustível adulterado é um problema “silencioso” que pode destruir o motor do carro. E como quase 1/3 dos combustíveis tem alguma alteração - seja mais etanol na gasolina, água ou solvente - é preciso saber como age a gasolina, etanol ou diesel adulterados dentro do motor do seu carro.

Por isso, especialistas alertam para um problema recorrente no país: o combustível adulterado, que pode causar sérios danos ao veículo e fica mais comum especialmente quando o preço sobe. 

Além de comprometer o desempenho do carro, gasolina ou etanol fora das especificações podem afetar diretamente o sistema de combustão, a injeção eletrônica e diversos componentes do motor, gerando prejuízos elevados de manutenção.

Excesso de etanol na gasolina pode alterar a combustão

No Brasil, a gasolina vendida nos postos contém uma mistura obrigatória de etanol anidro, definida pelo governo. Hoje esse percentual já é de 30% (E30). Para veículos mais antigos, a gasolina, e não Flex, o excesso de etanol tende a ser prejudicial. 

Quando a gasolina recebe quantidade de etanol acima do permitido, uma das formas mais comuns de adulteração, a mistura ar-combustível passa a queimar de forma diferente dentro do motor. Isso pode provocar perda de potência, aumento do consumo, falhas de ignição e funcionamento irregular do motor.

Esse desequilíbrio ocorre porque o motor foi projetado para trabalhar com uma proporção específica de combustível e ar, controlada pela injeção eletrônica. Quando a mistura muda, o sistema pode não conseguir compensar corretamente.

Água no etanol causa corrosão e falhas no funcionamento

Outro tipo frequente de fraude é a presença de água em excesso no etanol hidratado. Embora o etanol já contenha naturalmente pequena quantidade de água, valores acima do limite permitido podem gerar problemas sérios.

Entre os principais efeitos estão corrosão interna de peças metálicas, falhas na partida, dificuldade de aceleração e falhas de combustão

Em casos mais graves, a água pode provocar oxidação em bombas de combustível e bicos injetores, reduzindo a vida útil desses tipo de componentes.

 

Danos ao sistema de injeção eletrônica

Os motores modernos utilizam injeção eletrônica, sistema responsável por controlar com precisão a quantidade de combustível enviada ao motor para garantir eficiência e menor emissão de poluentes. 

Quando o combustível está adulterado, sensores e atuadores podem receber informações incorretas, gerando problemas como falhas nos bicos injetores, desgaste prematuro da bomba de combustível, leitura errada da sonda lambda e perda de potência e aumento do consumo

 

Em alguns casos, resíduos da combustão irregular podem formar depósitos de carbono no motor, prejudicando o funcionamento e exigindo limpeza ou substituição de componentes.  Também é comum a adulteração de combustível por meio de solventes e produtos derivados de petróleo, porém mais baratos do que o etanol e a gasolina. Estes produtos também causam falhas na leitura, na ignição e no motor. 

 

Vale lembrar que problemas de alimentação causados por gasolina adulterada podem resultar na necessidade de troca de peças em um custo que pode variar entre R$ 1.500 para limpeza de tanque e bicos injetores a mais de R$ 10 mil para fazer uma retífica de motor. 

Catalisador e sensores também podem ser afetados

Outro componente sensível à qualidade do combustível é o catalisador, responsável por reduzir emissões poluentes no sistema de escape.

Quando a combustão ocorre de forma inadequada — situação comum com combustível adulterado — podem surgir resíduos que entopem ou danificam o catalisador, reduzindo o desempenho do carro e elevando as emissões.

Sensores eletrônicos que monitoram a mistura de gases também podem apresentar falhas, o que faz o carro acender luzes de alerta no painel.

Um estudo do Instituto Combustível Legal (ICL) indicou que, em 2025, 28% dos combustíveis (gasolina, etanol e diesel) analisados no Brasil apresentaram irregularidades. A fraude mais comum é o excesso de etanol na gasolina, representando 61,5% dos casos. A adição de solventes, e outros produtos responde pelo restante dos casos de combustível adulterado. 

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