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Correios querem levantar R$ 8 bi extras até junho para evitar nova crise em plena eleição

Estratégia busca evitar que a empresa enfrente uma nova crise em pleno período eleitoral

Por Da Redação
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Correios querem levantar R$ 8 bi extras até junho para evitar nova crise em plena eleição

Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/ Agência Brasil

IDIANA TOMAZELLI - Os Correios já iniciaram as articulações para tentar levantar até junho os R$ 8 bilhões extras necessários para tocar seu plano de reestruturação, por meio de novo empréstimo ou aporte da União. A estratégia busca evitar que a empresa enfrente uma nova crise em pleno período eleitoral.

Os R$ 12 bilhões obtidos no fim de 2025 por meio de operação de crédito contratada com cinco bancos -dois deles controlados pelo governo federal- devem durar até meados deste ano, segundo pessoas a par do assunto ouvidas pela reportagem.

O prazo pode se estender um pouco mais, caso medidas como o PDV (programa de demissão voluntária) sejam bem-sucedidas. Mesmo assim, a avaliação é que resolver o quanto antes o valor pendente é essencial para afastar o risco de um buraco no caixa em meio à campanha, o que daria munição para os adversários do governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

Os Correios estimaram uma necessidade total de R$ 20 bilhões para tocar seu plano de reestruturação. O dinheiro será usado para regularizar dívidas, financiar medidas de ajuste (como incentivos à adesão ao PDV e mudanças no plano de saúde) e manter em dia as demais obrigações da companhia.

Do empréstimo já contratado, R$ 10 bilhões entraram no caixa no fim do ano passado, e outros R$ 2 bilhões serão repassados até o final de janeiro.

Em entrevista coletiva no fim de dezembro, o próprio presidente da empresa, Emmanoel Rondon, destacou que a companhia precisaria de mais R$ 8 bilhões para honrar seus compromissos.

Nesta semana, o comando da empresa iniciou os contatos com instituições financeiras para medir o apetite para uma nova operação de crédito, mas há intenção também de buscar a concretização do aporte sinalizado pelo Ministério da Fazenda na contratação do empréstimo com os bancos.

Uma das cláusulas do contrato firmado com Banco do Brasil, Caixa Econômica Federal, Bradesco, Itaú e Santander prevê uma injeção de R$ 6 bilhões da União até 2027. O dispositivo foi confirmado à reportagem pelo Tesouro Nacional.

"O contrato prevê o aporte de RS 6 bilhões até 2027, não estabelecendo nenhum vínculo com eventual nova operação de crédito", disse o órgão em nota.

Isso significa que, além de ser fiador do empréstimo (responsável por honrar os pagamentos em caso de inadimplência da empresa), o Tesouro precisará injetar R$ 6 bilhões nos Correios até o fim do ano que vem, de uma só vez ou de forma parcelada, independentemente de eventual nova captação de recursos no mercado.

Como revelou a Folha de S. Paulo, a cláusula foi discutida em reunião do secretário-executivo do Ministério da Fazenda, Dario Durigan, com representantes da Caixa e de bancos privados, na qual o governo pediu que as instituições avaliassem participar da operação.

Nesse encontro, a Fazenda acenou com a possibilidade de aporte nos Correios, desde que em 2026 ou 2027, dada a impossibilidade de fazer qualquer repasse em 2025.

Em cima disso, as instituições financeiras pediram a formalização da promessa em cláusula contratual. Amarrar esse compromisso não só divide o ônus do socorro, mas também ajuda a justificar a operação de crédito, que, embora rentável, tem risco. Não houve objeção por parte do governo.

Agora, o risco eleitoral tem sido usado pela empresa como um alerta para tentar garantir que o governo repasse ao menos parte dos R$ 6 bilhões ainda este ano. O objetivo é evitar a repetição do que ocorreu no fim de 2025, quando a demora em fechar a operação de crédito colocou em risco até mesmo o pagamento em dia do 13º salário dos empregados. A reedição de um cenário extremo como este em plena campanha teria efeitos negativos para o governo.

Outro fator que pode favorecer a aceleração do aporte é a percepção entre os próprios bancos de que haverá pouco apetite das instituições para oferecer um novo empréstimo aos Correios dentro das condições estipuladas pelo Tesouro Nacional.

A primeira operação envolveu os cinco maiores bancos do país, que podem ter pouca disposição em voltar à mesa para negociar uma liberação adicional de recursos. Outras instituições menores, por sua vez, chegaram a apresentar proposta, mas a um custo acima do que a União considera razoável para conceder a garantia soberana.

Um executivo afirma, sob reserva, que os bancos até podem atender à demanda adicional caso o governo insista nessa via, mas pode não ser saudável para os Correios se endividar ainda mais para tocar o plano de reestruturação.

O contrato de R$ 12 bilhões com o sindicato de cinco bancos estipulou um prazo de 15 anos, dos quais os três primeiros são de carência (sem cobrança de parcelas). Quando os pagamentos iniciarem, na virada de 2028 para 2029, o serviço da dívida será superior a R$ 1 bilhão por ano. Uma nova operação aumentaria a fatura, comprometendo uma fatia ainda maior das receitas de uma companhia em recuperação.Por isso, a percepção de técnicos é de que o aporte ainda em 2026 será inevitável.

O governo também deve discutir outras saídas para ajudar a estatal, como uma compensação pela pela prestação do serviço postal universal, uma garantia constitucional que hoje responde por uma parcela significativa dos custos da companhia.

Ainda não há uma proposta fechada, mas o governo avalia modelos de outros países em que uma taxa é cobrada para financiar a universalização. Outras opções não estão descartadas. A medida representaria um incremento nas receitas dos Correios.

Procurados, os Correios disseram que a primeira etapa do plano de reestruturação está em andamento, garantindo as condições necessárias para normalizar as operações da estatal. "Novas operações junto ao mercado poderão ser consideradas nas próximas fases do plano, caso se mostrem oportunas e alinhadas aos objetivos estratégicos da empresa", afirmou.

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