Cuba sofre apagão geral após sistema de eletricidade ser "desconectado"
Crise de combustíveis impede manutenção da rede elétrica, segundo fontes diplomáticas no país

Foto: Nigel Pacquette / Wikimedia Commons
Cuba, que enfrenta uma crise de combustíveis há cerca de três meses após restrições que afetaram o envio de cargas ao país, vive um apagão generalizado que atinge praticamente todos os seus 11 milhões de habitantes. O governo cubano informou nesta segunda-feira (16) que o Sistema Elétrico Nacional foi “desconectado”, provocando a interrupção do fornecimento de energia em grande parte do território.
Nas redes sociais, o Ministério de Energia de Cuba afirmou que a crise é completa. "Ocorreu uma desconexão total do Sistema Elétrico Nacional (SEN). As causas estão sendo investigadas e os protocolos para o restabelecimento da energia estão sendo ativados", afirmou o órgão.
Segundo fontes diplomáticas, a crise de combustíveis, a falta de peças de reparação e recursos impedem a manutenção da rede elétrica.
Este é o sexto episódio de apagão registrado em um ano e meio. Segundo fontes ouvidas pelo portal ICL Notícias, geradores privados em algumas residências impediram desconexão completa de bairros, cidades e províncias.
Na última semana, o governo cubano afirmou que estava em negociações com a Casa Branca, mas a pauta discutida não foi detalhada. Especialistas acreditam que os EUA querem que o governo cubano deixe o poder. Trump afirmou, em declarações recentes, que queda do regime socialista no país era uma questão de tempo. O secretário de Estado, Marco Rubio, afirmou ter a vontade de ver uma "mudança de regime".
O governo brasileiro avalia que há um risco real de uma crise humanitária no país, podendo gerar um êxodo dos habitantes de Cuba. A ONU emitiu um alerta sobre a situação humanitária cubana e apelou que o governo americano remova as sanções e bloqueios contra o país.
"Estamos extremamente preocupados com o aprofundamento da crise socioeconômica em Cuba, em meio a décadas de embargo financeiro e comercial, eventos climáticos extremos e as recentes medidas dos EUA que restringem as exportações de petróleo. Isso está tendo um impacto cada vez mais severo sobre os direitos humanos da população cubana", afirmou Marta Hurado, porta-voz do Alto Comissariado da ONU para Direitos Humanos.
Com os bloqueios, os EUA visam sufocar a economia cubana, permitindo um levante popular.
A ONU afirma que a situação é crítica: "Dada a dependência dos sistemas de saúde, alimentação e água em combustíveis fósseis importados, a atual escassez de petróleo colocou em risco a disponibilidade de serviços essenciais em todo o país".
Ainda segundo a entidade, unidades de terapia intensiva e emergências estão comprometidas, bem como a produção, distribuição e armazenamento de vacinas e outros medicamentos sensíveis à temperatura.
A ONU estima que mais de 80% dos equipamentos de bombeamento de água dependem de eletricidade, e que os cortes na energia podem prejudicar o acesso à água potável, saneamento básico e higiene.
"A escassez de combustível interrompeu o sistema de racionamento e a cesta básica de alimentos regulamentada, e afetou as redes de proteção social — alimentação escolar, maternidades e asilos — com os grupos mais vulneráveis sendo desproporcionalmente impactados", afirmou.


