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Datafolha: 76% dizem que ministros do STF têm poder excessivo

Cidadãos foram ouvidos pelo Datafolha em pesquisa realizada da terça (8) à quinta (10) passadas.

Por FolhaPress
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Datafolha: 76% dizem que ministros do STF têm poder excessivo

Foto: STF

IGOR GIELOW

A maioria dos brasileiros considera que os ministros do STF (Supremo Tribunal Federal), que vive grave turbulência, têm poder demais. Acreditam nisso 76% dos ouvidos pelo Datafolha em pesquisa realizada da terça (8) à quinta (10) passadas.

Ao mesmo tempo, 71% consideram que o tribunal é essencial para a democracia, embora 77% afirmem que a população acredita menos na corte hoje do que no passado.

É o que aponta nova pesquisa do instituto, que ouviu 2.002 eleitores em 125 cidades de terça (8) a quinta (10). A margem de erro do levantamento, feito sob o impacto da crise mas que não pegou a totalidade de seus lances, é de dois pontos para mais ou para menos. O nível de confiança é de 95%. 

Os índices são semelhantes ao aferido em abril, quando o Datafolha fez as mesmas perguntas, o que sugere que até aqui a crise no STF não impactou a opinião pública.

A corte passa pelo seu momento mais complexo em 135 anos de história na República. Na terça-feira retrasada (1º), o ministro André Mendonça revelou relatório sigiloso a que o Alexandre de Moraes teve acesso no qual são revelados detalhes das relações do colega com o ex-dono do Banco Master, Daniel Vorcaro.

Além do já conhecido contrato de R$ 131 milhões do ex-banqueiro com o escritório da mulher de Moraes, o ministro recebeu mensagens de Vorcaro em que ele questionava a conveniência de fugir do país para não ser preso —não há registro da resposta.

Vorcaro, que está preso, é o artífice daquilo que é descrito como o maior golpe financeiro da história do país, com a venda de carteiras de investimento fraudulentas.

De seu lado, Moraes questionou a legalidade dos atos de Mendonça. A resposta do rival veio na ordem de afastamento do diretor-geral e do chefe de inteligência da PF.

O presidente do Supremo, Edson Fachin, sustou as medidas de ambos e marcando uma sessão para discutir a conduta de Moraes na próxima terça (15). Mas a disputa com ares políticos seguiu, dada a interligação do caso com a disputa presidencial.

O filho de Jair Bolsonaro e candidato Flávio, senador pelo PL do Rio, assumiu a defesa de Mendonça. Ex-ministro da Justiça do pai do presidenciável, ele foi indicado ao cargo pelo ex-chefe. Já Moraes sempre foi alvo do bolsonarismo, por ter comandado o julgamento que levou o ex-presidente à cadeia por golpismo.

No ato do 7 de Setembro na avenida Paulista, na segunda-feira passada, Flávio apontou a ligação tática entre Lula e Moraes dizendo que votar no petista significaria apoiar o ministro.

Só que o fogo veio para o lado do senador também.

Na quinta (10), o ministro Flávio Dino, aliado de Moraes, autorizou operação da PF para descobrir se houve dinheiro de emendas parlamentares de um deputado bolsonarista para o filme "Dark Horse", hagiografia filmada do ex-presidente.

Já era conhecido o episódio em que Flávio cobrava a totalidade da promessa de ajuda de Vorcaro, a quem chama de "meu irmão". Até aqui, é sabido que o ex-banqueiro deu quase R$ 70 milhões supostamente para a obra. Flávio, que é investigado pela PF, nega irregularidades.

Por ordem de Fachin, Mendonça levantou o sigilo do caso do Banco Master, mas teve de abrir todos os documentos após Moraes e outros o acusarem de seletividade.

Tudo isso reanimou a desconfiança em torno da corte, cujo papel na condução da investigação de atos antidemocráticos como os do 8 de janeiro de 2023 e o julgamento de Bolsonaro era louvada como um marco.

Moraes sempre foi criticado à direita por sua atuação, vista até por aliados como centralizadora e por vezes excessiva. Agora, a crise estourou.

Encomendado pela Folha de S.Paulo e pela TV Globo, o levantamento do Datafolha está registrado na Justiça Eleitoral com o código BR-01833/2026.

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