Desvios no Dnit: segundo suplente de Alcolumbre é flagrado sacando R$ 350 mil durante investigação
Registros foram feitos pela PF após serem alertados pelo Coaf sobre saques em espécie de valores considerados altos

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A Polícia Federal flagrou o empresário Breno Chaves Pinto, segundo suplente do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (UB), saindo de uma agência bancária com uma mochila contendo R$ 350 mil em espécie e entrando em um carro registrado em nome de uma empresa que pertence a primos do senador. O episódio consta em relatório da investigação que apura fraudes em licitação do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit) no Amapá e foi obtido pelo jornal O GLOBO.
Os agentes passaram seguir Chaves Pinto após receberam um alerta do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) sobre saques em espécie de valores considerados altos. Na investigações, a PF identificou que as retiradas ocorriam pouco tempo após o recebimento de recursos provenientes de contratos públicos.
Nas apurações, o empresário é apontado pela corporação como uma dos líderes de uma organização criminosa suspeita de conluio e simulação de competitividade em licitações do Dnit do Amapá.
“As investigações financeiras demonstraram vultosos e sucessivos saques em espécie, que ultrapassam R$ 3 milhões, das contas de suas empresas, em datas próximas a pagamentos de contratos públicos, configurando indícios de lavagem de capitais", diz a PF no relatório
Segundo a publicação, os investigadores identificaram saques sucessivos em espécie que ultrapassam R$ 3 milhões. A retiradas foram feitas de agências bancárias diferentes do estado.
O jornal procurou Breno Chaves Pinto, que justificou que os saques são referentes a pagamentos de funcionários e prestadores de serviços de sua empresa. "O presente processo tramita sob segredo de Justiça, razão por que as manifestações da defesa ocorrem exclusivamente nos autos, em estrita observância às determinações legais", afirma em nota.
O presidente do Senado também afirmou que "não possui qualquer relação com a atuação empresarial de seu segundo suplente".
Chaves Pinto já foi alvo de operação
O empresário foi alvo de uma operação da PF em dezembro de 2022, onde cerca de R$ 800 mil em dinheiro foram apreendidos na sede da empresa dele. A ação apurava fraudes e superfaturamento e, obras de manutenção e recuperação de trechos da BR-156 no Amapá.
A investigação da PF teve início em razão de um inquérito sobre a inserção de informações falsas no sistema do Ibama para a movimentação de créditos florestais para "esquentamento" de madeiras de origem ilegal. A corporação verificou a ocorrência de um superfaturamento no valor de R$ 6,1 milhões nas obras tocadas pela firma do segundo suplente do senador, que é investigado pelos crimes de organização criminosa, peculato, corrupção ativa e passiva, fraude à licitação, falsidade ideológica e lavagem de dinheiro.
À época, o empresário afirmou que a Justiça havia autorizado a devolução dos bens apreendidos e disse que a acusação de compra de madeira ilegal aconteceu em razão de um erro na aquisição do produto, com a compra endereçada para a sede da empresa e não para o local da obra, o que contrariaria as regras do Ibama. Ele também negou irregularidades ou conflito de interesses nas contratações envolvendo as empresas que comanda.


