Em delação rejeitada por falta provas, Vorcaro diz que Jaques Wagner recebia R$ 3 milhões mensais em propina ligada ao Credcesta
As informações foram divulgadas pelo UOL.

Foto: Waldemir Barreto/Agência Senado
A delação do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, que foi rejeitada pela Polícia Federal (PF) e pela Procuradoria-Geral da República (PGR) devido a falta de provas, diz que o senador e candidato à reeleição Jaques Wagner (PT-BA) recebia mensamente R$ 3 milhões em propina relacionada a operação do Credcesta. As informações foram divulgadas pelo UOL nesta sexta-feira (25).
No relato, Vorcaro afirma que o suposto acerto foi feito em 2018 após o Master comprar parte do gestora do Credcesta e que só soube da existência da propina através do seu ex-sócio Augusto Lima.
"Augusto Lima informou ao colaborador que precisou corromper os políticos baianos para adquirir a operação do Credcesta, razão pela qual cedeu a políticos participação societária na PKL", declarou.
O ex-banqueiro ainda apontou que o pagamento do valor era feito de duas formas: R$2 milhões eram repassados por meio de uma operação entre o Banco Master e a PKL One com participação oculta de Wagner ; e os outros R$ 1 milhão passaram a ser entregues em espécie após a saída do empresário Guilherme Sodré, o Guiga, do quadro de sócios da empresa.
Também existiam outras formas de repasse, como a distribuição de lucros e dividendos da PKL One e contratos fictícios celebrados com pessoas indicadas pelo senador, a exemplo da própria filha e da offshore ligada a João Carlos Falbo Mansur.
Sobre a PKL ONE
A PKL One era a empresa gestora do Credcesta, a qual estava sob controle de laranjas de Augusto Lima e de políticos.
Na deleação, Vorcaro ainda trata da venda, por meio de leilão, da estatal Empresa Baiana de Alimentos (Ebal) durante a gestão de Rui Costa (PT), enquanto Wganer era secretário do governo da Bahia. O caso está sob investigação da PF, que apura suspeitas de de fraude e direcionamento à empresa de Agusto Lima.
Segundo o ex-banqueiro, o ex-sócio era o dono da empresa NGV Empreendimentos que arrematou a Ebal por R$15 milhões e que, posteriormente, passou o direitos de exploração do Credcesta para a PKL One. Os destinatários do esquema seriam o próprio Augusto Lima; o Guiga,"operador de confiança de Jaques"; e políticos.
O Guilherme Sodré, inclusive, aparece em documentos referentes a CPI do Crime Organizado como o detentor de 22,45% do fundo de investimentos do Gardência, que tinha participação indireta na PKL ONe até 31 de dezembro de 2018.
Saída do Guiga e entrada do Entre Investimentos
Porém, após um mudança na estrutura societária mediando a expansão do Credcesta, o Guiga saiu do quadro de sócios e acertou o pagamento mensal de R$ 1 milhão em espécie.
O valor que era obtido por Vorcaro por meio de contratos com sobrepreço com empresas ligadas a Augusto Lima , como Blue Pay e a ThePay. A última ainda teria vendido R$ 80 milhões em notas comerciais a fundos da Reag relacionada ao Master.
Guilherme Sodré acabou sendo substituído pela Entre Investimentos de Antônio Carlos Freixo Júnior, mas sua ligação com Wagner nunca foi comprovada.


