Ex-capitão da PM baiana divulgou informações falsas sobre saída de Flávio Bolsonaro do Brasil
Agente afirmou que o senador já estava nos EUA, mas ele ainda seguia em direção à Argentina

Foto: Acervo pessoal
O ex-capitão da Polícia Militar da Bahia André Porciúncula divulgou informações falsas à imprensa sobre o trajeto do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) até os Estados Unidos. Enquanto afirmava que o parlamentar já havia chegado a Miami, Flávio ainda estava no Brasil, seguindo em direção à fronteira com a Argentina. Segundo a colunista Bela Megale, do jornal O Globo, a estratégia teria sido articulada pelo ex-deputado Eduardo Bolsonaro, para dificultar o acompanhamento da viagem.
Na terça-feira (27), Porciúncula informou a jornalistas que Flávio estava em um voo a Miami. Horas depois, afirmou que a aeronave havia pousado nos EUA e que o senador estava reunido com familiares. As informações teriam sido repassadas a ele por Eduardo Bolsonaro. Outros aliados também divulgaram uma possível rota pela Venezuela, mas Flávio deixou o Brasil pela fronteira com a Argentina.
Segundo autoridades migratórias argentinas, o senador atravessou a Ponte Internacional Tancredo Neves, entre Foz do Iguaçu (PR) e Puerto Iguazú, às 22h50 de terça-feira (27), acompanhado da esposa e das duas filhas. Ele utilizou um passaporte italiano para entrar na Argentina e, depois, embarcou em uma aeronave particular com escala em Guayaquil, no Equador, antes de chegar a Miami na manhã de quarta-feira (28).
A viagem ocorreu após o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinar que Flávio entregasse os passaportes e ficasse impedido de deixar o Brasil. A Polícia Federal investiga as circunstâncias da saída. Não há confirmação pública de que Porciúncula tenha sido formalmente acusado de participação criminosa na operação.
Natural de Salvador, Porciúncula ingressou na Polícia Militar da Bahia em 2005 e chegou ao posto de capitão. Durante o governo Jair Bolsonaro, ocupou cargos na área cultural, incluindo a Secretaria Nacional de Fomento e Incentivo à Cultura e, posteriormente, a Secretaria Especial de Cultura.
Em junho de 2026, foi transferido para a reserva remunerada proporcional da PM, após procedimentos administrativos relacionados à ausência de retorno às atividades na corporação. Ele também responde a um processo na Justiça Militar que pode resultar na perda do posto.


