Flica 2026: inteligência artificial e literatura negra estão entre os destaques da programação em Cachoeira; confira programação
14ª edição da Festa Literária Internacional de Cachoeira começa nesta quinta-feira (5) e segue até domingo (8)

Foto: Reprodução/Diêgo Silva/g1
A literatura negra, a valorização da ancestralidade e os impactos da inteligência artificial nas relações raciais estão entre os temas da 14ª Festa Literária Internacional de Cachoeira (Flica), que começa nesta quinta-feira (5) e segue até domingo (8), no Recôncavo baiano. A programação reúne escritores, pesquisadores, artistas e ativistas em debates sobre letramento racial, memória afro-brasileira e tecnologia.
Um dos destaques será a mesa de abertura da Tenda Paraguaçu, nesta quinta-feira, às 11h, com o tema “Penso, logo... IA: distopias à vista?”. O encontro terá a participação da jornalista Miriam Leitão e da cientista da computação Nina da Hora, com mediação do especialista em cultura Zulu Araújo.
Pesquisadora e ativista antirracista, Nina da Hora discutirá os riscos de reprodução de desigualdades raciais por sistemas de inteligência artificial. Durante o evento, ela também lançará o livro Do rosto ao vetor: uma história da medição do rosto, da eugenia ao algoritmo.
Segundo a pesquisadora, os vieses raciais presentes nas ferramentas de IA estão relacionados aos dados utilizados no treinamento dos sistemas. “A IA aprende com dados, e os dados que temos no Brasil carregam a nossa história. Um sistema treinado com isso aprende essas diferenças como se fossem normais e devolve o resultado com cara de decisão técnica”, afirmou.
Sarau reúne artistas negros da Bahia
Ainda na quinta-feira, às 19h, o sarau “Sued Nunes Não Anda Só” reunirá artistas negros baianos em apresentações literárias e musicais. Além da cantora e compositora Sued Nunes, participam Afropecado, Duda Santhana, MC Jaynne e Matheus Kawan.
A proposta é valorizar a produção cultural negra da Bahia e do Recôncavo, com performances inspiradas em experiências coletivas de resistência ao racismo.
Afrofuturismo e racismo algorítmico
Na sexta-feira (6), às 15h, a mesa “Inteligência ancestral, memórias afrofuturistas” discutirá como tradições africanas e afro-diaspóricas contribuem para a preservação do conhecimento e a construção de novas narrativas. Participam o escritor Ale Santos e o pesquisador e tradutor Cesar Sobrinho, com mediação da professora e crítica literária Cristian Sales.
No sábado (7), às 18h, a mesa “Inteligência artificial e racismo – Algoritmos da branquitude” abordará a reprodução de estruturas históricas de discriminação por sistemas tecnológicos. O debate terá a participação da pedagoga e ex-ministra Nilma Lino Gomes e do pesquisador Tarcízio Silva, com mediação da professora e vice-reitora da Universidade Federal da Bahia (Ufba), Jamile Borges.
A programação também inclui discussões sobre literatura, feminismo, diásporas, criação artística e os efeitos da inteligência artificial na produção cultural.
Segundo o curador da Flica, Marielson Carvalho, a proposta é aproximar literatura, educação e consciência social, valorizando as experiências e os saberes produzidos pelas comunidades.
Confira a programação completa:
QUINTA-FEIRA (5)
TENDA PARAGUAÇU
• Mesa 01 | 11h
“Penso, logo... IA: distopias à vista?”
Míriam Leitão e Nina da Hora
Mediação: Zulu Araújo
Que futuro nos avizinha com a IA? As utopias de um mundo mais humano ou pós humano, desafios e possibilidades trazidos pela inteligência artificial como interação social e cultural, arte e pensamento, literatura e jornalismo na salvaguarda de direitos humanos e democracia, quando a vida passa a ser regida por algoritmos e data centers. Bate-papo com duas referências: uma na computação e outra no jornalismo, como possibilidades de pensar sobre racismo e política sob a mediação das big techs.
• Mesa 02 | 15h
“Engaja-me, ou bloqueio-te”
Larissa Luz e Walter Porto
Mediação: Daniela Galdino
Entre letras e telas. Quantos reels engajam seu livro, suas ideias, sua marca, quantos seguidores compartilham seu post? Debate sobre os limites entre criação e performance, leitura e entretenimento, profundidade e velocidade. A literatura caiu na rede. E o que podemos tirar de bom desse mar de conteúdo. O que quer e o que pode essa IA na difusão do livro e da leitura?
• Mesa 03 | 19h
Sarau “Sued Nunes Não Anda Só”
Sued Nunes convida Afropecado, Duda Santhana, MC Jaynne e Matheus Kawan
A cantora e compositora Sued Nunes convida poetas negros e negras do Recôncavo para um sarau com performances literárias e musicais a partir de sua seleção em parceria com a curadoria. Um encontro de vozes negras com trajetórias individuais a partir de experiências coletivas de luta contra o racismo.
GERAÇÃO FLICA
• Mesa 01 | 14h
(IA)gora, para onde vai a nossa imaginação?
Uma conversa sobre imaginação, repertório e liberdade de criar. Como produzir e ter autenticidade com a chegada e o aprimoramento da Inteligência Artificial.
André Carvalhal e Sandra Liss
Mediação: Breno Fernandes
• Mesa 02 | 16h
Ctrl+C, Ctrl+V… e agora?
Autores dialogam sobre autoria, referência e criação dentro e fora na internet. Em tempos de copia e cola, como andam essas produções?
Zoe X, Vinícius Grossos e Carolina Magalhães
Mediação: Felipe Brito
SEXTA-FEIRA (6)
• Mesa 04 | 10h
“Prato do dia: saberes e sabores literário”
Adriana Oliveira, Luiz Marfuz e Noelice Silva
Mediação: Cleidiana Ramos
O encontro de quem escreve com quem cozinha. Uma degustação de pratos e palavras temperados com memórias, histórias e trajetórias, conectando tradições culinárias, referências literárias e expressões culturais do Recôncavo e de Salvador. Nesta sessão, dois escritores falam de seus livros de ficção e crônica e de suas experiências com a literatura, enquanto uma chef de cozinha de Cachoeira faz um prato especial para celebrar este encontro do Paraguaçu com a Baía de Todos os Santos, em uma ação inédita na Flica.
• Mesa 05 | 15h
“Inteligência ancestral, memórias afrofuturistas”
Ale Santos e César Sobrinho
Mediação: Cristian Sales
Oralidades africanas e afro-diaspóricas como tecnologia de memória e criação literária negras. O afrofuturismo conectado com a cosmovisão ancestral de povos e territórios como fundamento estético e político antirracista e decolonial.
• Mesa 06 | 19h
“Sarau Lacração”
Jordan convida Albert Elias, Ana Mariano, Fernanda Nascimento, Sued Hosaná e Vércio Gonçalves Conceição
Jordan é o MC desse sarau onde corpos divergentes performam suas sexualidades e identidades de gênero com humor, afetos, provocação e resistência. No palco da Tenda, todas, todos e todes abalam as estruturas do preconceito e escrevem suas vozes na literatura contra a lgbtfobia.
GERAÇÃO FLICA
• Mesa 03 | 09h
Multiverso criativo: Misturando linguagens sem medo
Um papo sobre como as múltiplas linguagens estão se comportando e produzindo em tempos de Inteligência Artificial.
Claudia Sardinha e Jonas Samaúma
Mediação: Evelyn Sena
• Mesa 04 | 11h
Do prompt ao poema
Uma conversa sobre a Inteligência Artificial como ferramenta criativa na prática. O que e como poetas e cordelistas estão usando-a para desenvolver suas produções?
Vitória Rodrigues e Má Reputação
Mediação: Thiago Giffoni
• Mesa 05 | 14h
Rindo na cara do algoritmo
Será que a Inteligência Artificial contribui para a criação de personalidades da internet? Uma conversa sobre como se manter autênticos e bem humorados em tempos de IA.
Ricck Bandeira e Beberes
Mediação: Debook
• Mesa 06 | 16h
Histórias que só a gente conta
Artistas dialogam sobre como as suas vivências servem como potência criativa em múltiplas formas. Um diálogo sobre como produzir e encantar jovens com as suas artes mantendo-se criativos e únicos.
Dora Freind e Matheus Chão de Palha
Mediação: Catarina Nerìs
SÁBADO (7)
• Mesa 07 | 10h
“Que a IA não ouse me calar: literatura, feminismos e memórias”
Elisama Santos
Mediação: Luana Souza
Conversa sobre literatura, feminismos e violência em tempos de inteligência artificial, interrogando como vozes de mulheres seguem criando formas de denúncia, memória e resistência diante de tecnologias que muitas vezes reproduzem silenciamentos históricos. Entre a palavra escrita, a oralidade, as redes digitais e os algoritmos, o debate aborda como a literatura pode enfrentar violências de gênero, raciais, simbólicas e institucionais, ao mesmo tempo em que questiona os limites éticos da IA na representação dessas subjetividades.
• Mesa 08 | 14h
“Diásporas literárias – passagens e permanências”
Scholastique Mukasonga (Ruanda/França) e María Elena Morán (Venezuela)
Mediação: Edma de Gois
Autoras conversam sobre como a experiência diaspórica atravessa a literatura contemporânea, em meio a guerras culturais, políticas e econômicas que ampliam a crise migratória e crimes contra a humanidade. Entre o deslocamento e a fixidez, uma reflexão sobre memórias da terra natal e do exílio, um encontro de testemunhos afetivo sobre corpos em trânsitos.
• Mesa 09 | 16h
“Tô prompt para escrever...”
Sérgio Rodrigues e André Lemos
Conversa sobre escrita literária em tempos de inteligência artificial com demonstração ao vivo de técnicas em suportes digitais de criação, tensionando o bate-papo sobre a literatura como produto da originalidade intelectual humana e a ideia de que a IA é resultado de nossa própria inteligência. Quem comanda a IA: nós ou o robô? Homem e máquina na fricção de palavras e algoritmos.
• Mesa 10 | 18h
“Inteligência artificial e racismo – Algoritmos da branquitude”
Nilma Lino Gomes e Tarcízio Silva
Mediação: Jamile Borges
Se a IA é gerada por mãos e mentes humanas, nenhuma neutralidade se espera de quem a gera, logo a automação e reprodução de estruturas coloniais de poder e saber na internet aumenta as discriminações com a inovação digital de processamento de dados pessoais. Conversa sobre o racismo algorítmico contextualizado às relações étnico-raciais no Brasil.
GERAÇÃO FLICA
• Mesa 07 | 09h
Traço, quadro e ideia: Ilustração e HQ na era da IA
O que mudou com a chegada da Inteligência Artificial para ilustradores e quadrinistas? Um papo com ilustradores e quadrinistas sobre criação, identidade e caminhos profissionais em meio à IA.
Paulo Moreira, Isabella Ismile e Breu
Mediação: Daniel Cesart
• Mesa 08 | 11h
Cringe ou genial?
Um papo leve sobre como memes, trends e redes sociais também são espaços legítimos de criação.
Bell Puã e Roberta Gurriti
Mediação: Tai Nariati
• Mesa 09 | 14h
Entre o Rascunho e o Feed
O lado imperfeito da criação. Processo criativo real, sem filtro. Um papo entre jovens escritores falando sobre os bastidores criativos, entre erros e acertos até chegar às redes.
Ana Jú e Filipe Soares
Mediação: Raoni Oliveira
• Mesa 10 | 16h
O futuro não está pronto: O que vamos criar daqui pra frente
Uma conversa reflexiva e descontraída sobre a visão de um futuro criativo pensado no agora. Como os artistas encaram a Inteligência Artificial e acreditam que vai ser o amanhã.
Ernesto Xavier e Thaiane Machado
Mediação: Saulo de Tasso
DOMINGO (8)
PROGRAMAÇÃO INSTITUTO DANNEMANN
• 09h
Cortejo Cultural: Esmola Cantada da Festa de Santa Bárbara
Mediação: Atividades coordenadas pela Prefeitura de São Félix
TENDA PARAGUAÇU
• 12h
Bye Bye Flica - Arrastão Cultural com Manifestações do Recôncavo.
PALCO RAÍZES
• 12h30
Grupo EX 13 – Dança de Rua l Samba de Roda Filhos da Barragem l Paco Duarte l Pagode do Cleytinho


