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Operação contra bets ilegais mira esquema de lavagem de dinheiro e bloqueia até R$ 3,4 bilhões

Ação da Polícia Civil do Distrito Federal cumpre 50 mandados de busca em seis estados

Por Da Redação
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Atualizado
Operação contra bets ilegais mira esquema de lavagem de dinheiro e bloqueia até R$ 3,4 bilhões

Foto: Divulgação

A Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF) lançou, na manhã desta quinta-feira (5), a Operação Azzardo, que investiga uma organização suspeita de explorar apostas ilegais de quota fixa e lavar dinheiro por meio de empresas de fachada e instituições financeiras. A Justiça determinou o bloqueio de até R$ 3,483 bilhões em recursos dos investigados. As informações são de coluna do jornalista Carlos Carone do Portal Metrópoles.

Cerca de 200 policiais civis participam da operação, que cumpre 50 mandados de busca e apreensão no Distrito Federal e em outros cinco estados: São Paulo, Goiás, Paraná, Ceará e Rio Grande do Norte. Do total, 24 mandados são executados no DF e 26 nas demais unidades da federação.

A investigação começou há cinco meses, após a Secretaria de Prêmios e Apostas do Ministério da Fazenda (SPA/MF) encaminhar informações à PCDF sobre plataformas de apostas que funcionavam sem autorização federal.


Empresas de fachada e movimentação bilionária

Segundo a investigação, o esquema utilizava dezenas de empresas de fachada para receber, concentrar e redistribuir valores provenientes das apostas. Em um dos casos identificados em Ceilândia, no Distrito Federal, dez empresas estavam registradas no mesmo endereço e utilizavam um único número de telefone corporativo.

Em Sobradinho e outras regiões do DF, os investigadores identificaram empresas cadastradas como clínica de assistência psicossocial e loja de artigos de tarô, mas que seriam utilizadas para movimentar recursos das plataformas de apostas.

As empresas teriam sido abertas entre fevereiro e julho de 2026, com capitais sociais idênticos e endereços concentrados em Sobradinho, Sobradinho II e Ceilândia.

A apuração também identificou uma fintech sediada em São Paulo, autorizada pelo Banco Central a operar como Sociedade de Crédito Direto (SCD). De acordo com os dados financeiros analisados, a instituição e empresas do mesmo grupo movimentaram aproximadamente R$ 1 bilhão, incluindo transferências para empresas investigadas e pagamentos relacionados a casas de apostas sem autorização.

O Banco Central já havia divulgado, em 30 de julho de 2026, a intenção de cancelar a autorização de funcionamento da fintech. A instituição, duas empresas do mesmo grupo e seus dirigentes foram alvos da operação. A determinação judicial restringe os recursos próprios da fintech, sem atingir as contas de clientes terceiros que não são investigados.


Investigação aponta uso de criptoativos

De acordo com a PCDF, os valores pagos pelos apostadores via Pix eram direcionados a contas de empresas registradas em nome de terceiros e pessoas utilizadas como laranjas. Posteriormente, o dinheiro era pulverizado entre pessoas físicas, empresas e instituições de pagamento, com conversões em criptoativos para dificultar o rastreamento.

A investigação também identificou tentativas de justificar a operação das plataformas por meio de autorizações concedidas por loterias estaduais da Paraíba e do Rio de Janeiro. No entanto, segundo a apuração, nenhum dos sites investigados estava contemplado pelas licenças apresentadas.

Os investigadores apontam que as autorizações estaduais eram limitadas a marcas, portais e territórios específicos e não substituíam a autorização federal exigida para a exploração de apostas de quota fixa.


Justiça determina bloqueio de bens e suspensão de empresas

Além do bloqueio de até R$ 3,483 bilhões, a decisão judicial determinou a indisponibilidade de bens dos investigados em instituições supervisionadas pelo Banco Central e pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM).

Também foi determinada a suspensão das inscrições no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica (CNPJ) e dos registros em juntas comerciais de 100 empresas. Os investigados estão proibidos de abrir novas contas bancárias pelo prazo de 90 dias.

A Justiça autorizou ainda a quebra dos sigilos bancário e fiscal de 82 pessoas físicas e 83 pessoas jurídicas, além do sequestro de veículos de alto padrão identificados durante as diligências.

As buscas ocorreram em diferentes regiões administrativas do Distrito Federal e em cidades como São Paulo, Goiânia, Planaltina de Goiás e Valparaíso, além de municípios do Paraná, Ceará e Rio Grande do Norte.

Os materiais apreendidos, incluindo computadores, celulares, mídias e carteiras de criptoativos, serão analisados para identificar os responsáveis pelas plataformas e dimensionar os prejuízos causados aos apostadores.

Os investigados poderão responder por diferentes crimes. Segundo a PCDF, as penas previstas, somadas em abstrato, variam de 11 anos e seis meses a 31 anos de prisão, podendo chegar a 33 anos nos casos de falsidade ideológica em documento público.

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