Pesquisas erram e urnas surpreendem no 1º turno; veja os principais casos
Levantamentos divulgados antes do 1º turno projetaram cenários diferentes dos confirmados pelos eleitores em disputas pelo país

Foto: Reprodução | Redes Sociais
As urnas do primeiro turno das eleições deste ano contrariaram parte dos cenários apontados pelas pesquisas de intenção de voto divulgadas nas semanas que antecederam a votação. As diferenças apareceram na disputa pela Presidência da República e também nas corridas pelos governos estaduais e pelo Senado.
Na eleição presidencial, por exemplo, os principais institutos mantiveram Luiz Inácio Lula da Silva (PT) à frente nos levantamentos mais recentes. O resultado da votação, porém, terminou com Flávio Bolsonaro (PL) na liderança, com 47% dos votos, contra 45% de Lula. A diferença foi de cerca de 2,2 milhões de votos.
Pesquisas apontavam Lula na frente
Datafolha, Quaest, Real Time Big Data, Atlas/Intel e CNT divulgaram levantamentos nos dias anteriores ao primeiro turno com Lula numericamente à frente de Flávio Bolsonaro.
Nas pesquisas:
- Datafolha: Lula 45% x 42% Flávio Bolsonaro;
- Quaest: Lula 46% x 45% Flávio Bolsonaro;
- Real Time Big Data: Lula 43% x 39% Flávio Bolsonaro;
- Atlas/Intel: Lula 47% x 44,1% Flávio Bolsonaro;
- CNT: Lula 47,8% x 42,1% Flávio Bolsonaro.
O resultado das urnas, entretanto, colocou Flávio na liderança do primeiro turno.
Cenário também mudou nos estados
As diferenças entre pesquisas e resultados oficiais também apareceram nas disputas pelos governos estaduais.
No Distrito Federal, os levantamentos indicavam que a governadora Celina Leão (PP) tinha chances de vencer ainda no primeiro turno. Ela terminou à frente, mas com 49,9% dos votos, enquanto Leandro Grass (PT) alcançou 34,4%, levando a disputa para o segundo turno.
As pesquisas mais recentes davam entre 52% e 55% das intenções de voto para Celina, dependendo do instituto.
No Rio de Janeiro, o cenário também foi diferente. Eduardo Paes (PSD) aparecia na liderança dos levantamentos, seguido por Douglas Ruas (PL). Na apuração, porém, Ruas terminou em primeiro, com 49%, contra 42% de Paes.
A definição do governador ficou inicialmente para o segundo turno, marcado para 25 de outubro. A situação ainda pode mudar caso a Justiça Eleitoral confirme a desistência de Anthony Garotinho (Republicanos) de um recurso e determine a anulação dos votos recebidos por ele.
Senado teve diferenças ainda maiores
As corridas pelo Senado também apresentaram discrepâncias entre as pesquisas e o resultado das urnas, especialmente no Distrito Federal, Rio de Janeiro e São Paulo.
Em Brasília, Michelle Bolsonaro (PL) e Bia Kicis (PL) terminaram eleitas, com 29,05% e 27,44% dos votos, respectivamente. Leila do Vôlei (PDT), que aparecia em boa posição nas pesquisas, ficou com 21,25%, enquanto Erika Kokay (PT) somou 18,91%.
No Rio de Janeiro, Carlos Portinho (PL) e Carlos Jordy (PL) foram eleitos com 26% e 24% dos votos. Benedita da Silva (PT), que aparecia entre os nomes mais competitivos e chegou a liderar alguns levantamentos, não conquistou uma das vagas.
Já em São Paulo, as pesquisas apontavam uma disputa apertada entre quatro candidatos. Nas urnas, contudo, Guilherme Derrite (PP) ficou com 30,59% e André do Prado (PL), com 29,28%, garantindo as duas vagas. Simone Tebet (PSB) teve 19,23%, enquanto Marina Silva (Rede) terminou com 18,12%.
Por que as pesquisas podem divergir das urnas?
Especialistas e representantes dos institutos apontam diferentes fatores para explicar as diferenças. Entre eles estão mudanças na intenção de voto nos últimos dias, voto útil, abstenção e dificuldade de medir o comportamento do eleitor, principalmente em disputas menos acompanhadas, como a do Senado.
O diretor-executivo do Real Time Big Data, Lucas Thut Sahd, afirmou que pesquisas eleitorais funcionam como “retratos de momento” e não como previsões do resultado final. Segundo ele, os levantamentos captaram o crescimento de Flávio Bolsonaro, mas não conseguiram antecipar completamente o comportamento do eleitor no dia da votação.
O diretor da Quaest, Felipe Nunes, também defendeu que os levantamentos conseguiram identificar tendências observadas nas urnas, incluindo o chamado “voto útil de direita” em favor de Flávio.


