Polícia Federal prende operador financeiro de Careca do INSS
Alexandre Moreira da Silva era um dos foragidos da Operação Sem Desconto

Foto: Antônio Carlos Camilo Antunes, o "Careca do INSS". Foto: Edilson Rodrigues/Agência Senado
PEDRO S. TEIXEIRA - A Polícia Federal prendeu, nesta quarta-feira (11), Alexandre Moreira da Silva, um dos últimos foragidos da Operação Sem Desconto, que investiga desvios bilionários de recursos do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), segundo uma pessoa com conhecimento do assunto.
De acordo com a PF, Silva é um dos operadores financeiros de Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como Careca do INSS.
A reportagem entrou em contato com Silva por telefone nos números registrados em nome dele, mas ninguém atendeu. A reportagem também procurou a esposa dele e um advogado que o representa em outras ações judiciais, mas não obteve resposta.
Segundo a investigação, Moreira participou da operacionalização de fraudes envolvendo descontos indevidos em benefícios do INSS. Também teria auxiliado na ocultação de recursos obtidos ilicitamente, colaborando para a continuidade do esquema.
Silva era procurado desde dezembro. "Policiais federais realizaram a prisão após minucioso trabalho de investigação e levantamentos que permitiram localizar o investigado", diz a entidade em nota, sem citar o nome do suspeito.
O investigado foi encaminhado à unidade da Polícia Federal em São Paulo, onde deve ser submetido à audiência de custódia. A prisão preventiva do suposto operador financeiro foi decretada por ordem do ministro do STF (Supremo Tribunal Federal), André Mendonça.
Silva era sócio-administrador da Credenzzo, uma empresa controlada pelo Careca do INSS que oferecia um cartão de benefícios em troca de descontos nas pensões previdenciárias. Na prática, o cartão descontava a fatura diretamente sobre o salário, aposentadoria ou pensão do mês seguinte.
De acordo com a decisão de Mendonça, operações como a da Credenzzo "frequentemente apresntam taxas superiores às do consignado tradicional, especialmente quando o usuário realiza saques."
Ainda segundo o despacho do ministro do STF, a investigação indica o uso dos lucros auferidos pela Credenzzo para ocultar valores provenientes de fraudes, além de possíveis delitos contra o sistema financeiro nacional. Procurada por meio de endereços de email indicados em seu site, a Credenzo não respondeu às perguntas da reportagem. A empresa foi liquidada em dezembro.
A Operação Sem Desconto, conduzida pela PF em parceria com a CGU (Controladoria-Geral da União), apura um esquema de fraudes envolvendo descontos associativos indevidos em benefícios do INSS e atinge integrantes do Ministério da Previdência Social e do Senado.
As autoridades miram um esquema que teria descontado cerca de R$ 6,3 bilhões dos beneficiários do INSS entre 2019 e 2024.
A fraude consiste em descontos associativos não autorizados em aposentadorias e pensões.
O modelo de desconto associativo, que permite deduções diretas em aposentadorias mediante autorização dos beneficiários, tornou-se alvo de manipulação por entidades de fachada nos últimos anos.


