• Home/
  • Notícias/
  • Economia/
  • Recuo de Trump com energia eólica gerada no mar é oportunidade para Brasil, diz associação

Recuo de Trump com energia eólica gerada no mar é oportunidade para Brasil, diz associação

Oportunidade está no setor offshore, que ainda não entrou em uso comercial no Brasil

Por FolhaPress
Às

Recuo de Trump com energia eólica gerada no mar é oportunidade para Brasil, diz associação

Foto: Reprodução/Pixabay

JOÃO GABRIEL DE LIMA - O setor brasileiro de energia eólica vive sua maior crise e está diante de uma enorme oportunidade, na visão de Elbia Gannoum, presidente-executiva da Abeeólica (Associação Brasileira de Energia Eólica).
A oportunidade está no setor offshore, que produz energia a partir de turbinas eólicas instaladas em ambientes marinhos, e que ainda não entrou em uso comercial no Brasil. "Donald Trump quebrou vários contratos nessa área, o que gerou uma oportunidade de mercado para outros países", disse Gannoum à reportagem.
No fim do ano passado, o governo Trump suspendeu as concessões de todos os grandes projetos de energia eólica offshore, citando preocupações com a segurança nacional.
Gannoum esteve em Lisboa na sexta-feira (17) para uma reunião no Conselho Global de Energia Eólica (GWEC, na sigla em inglês), sediado na capital portuguesa. A ocasião serviu para apresentar na entidade a CEM (Coalizão Eólica Marinha), que reúne empresas e organizações brasileiras ligadas a projetos futuros em offshore, entre elas a Abeeólica.
"É um setor que pode impulsionar várias cadeias industriais no país", disse Roberta Cox, diretora-presidente da CEM -referindo-se, entre outras coisas, à construção e reposição de equipamentos de turbinas eólicas.
Nesta segunda-feira (20), o GWEC divulgou os números de seu relatório anual. O levantamento apontou um crescimento recorde na geração de energia eólica no mundo -onshore e offshore- com a instalação de 28,4 mil novas turbinas em 57 países diferentes, o que provocou um acréscimo de 165 GW (gigawatts). A maior responsável por essa expansão foi a China, que contribuiu sozinha com 120 GW.
No caso do Brasil, se a oportunidade está na retração temporária dos Estados Unidos, a crise está na área de eólicas onshore, geradas por turbinas eólicas instaladas em terra. O setor, que já responde por cerca de 16% da energia gerada no país, enfrenta dificuldades por causa do excesso de energia solar no sistema em alguns momentos do dia. Na ausência de demanda, o operador do sistema solicita o desligamento das turbinas, fenômeno conhecido como "curtailing".
"Isso gerou um prejuízo de cerca de R$ 5 bilhões em três anos às empresas que investiram no Brasil", diz Gannoum. Ela cita a nova lei que aguarda regulamentação -15269/2025- como algo fundamental para gerar mais segurança jurídica para os investidores. A ideia é que a regulamentação dê às empresas garantias contra os prejuízos do "curtailing".
Essa segurança jurídica é fundamental para que o mercado offshore possa deslanchar no Brasil, visto que se trata de um investimento de longo prazo. "Entre estudos de viabilidade e de impacto ambiental, além da própria construção das turbinas, o processo pode levar de oito a dez anos", diz Roberta Cox. "O impacto ambiental existe, mas ele é incomparavelmente menor que o de uma plataforma de petróleo", afirma a diretora-presidente da CEM, que já ocupou cargos no IBAMA.
No espaço europeu, a Espanha lidera na geração de energia eólica onshore. A liderança no offshore está com o Reino Unido, que começou a investir nesse tipo de energia ainda nos anos 1990. "Escolheu-se esse caminho porque o país é superpovoado e havia pouco espaço em terra para construir turbinas eólicas", disse o inglês Ben Backwell, CEO do Conselho Mundial de Energia Eólica (GWEC). "Foi um bom investimento porque, com a nova geopolítica mundial, os países que têm mais renováveis enfrentam menor oscilação nos preços da energia".
Ele cita, no espaço europeu, os exemplos da Espanha, de Portugal e dos países nórdicos, além do Reino Unido -onde as renováveis chegam a responder por metade da matriz elétrica, com as eólicas offshore chegando, em alguns momentos, perto de 20%. Esses países, segundo Backwell, enfrentaram melhor a turbulência com os preços do petróleo. O contraponto seria a Itália, onde o custo da energia disparou.
"Do lado oriental do planeta a China lidera a produção de offshore, não tem para ninguém", diz Elbia Gannoum. "Com a retração nos Estados Unidos, no entanto, temos o potencial de liderar do lado ocidental".
Sem ter iniciado ainda a pesquisa e o licenciamento da energia eólica offshore, o Brasil já tem cerca de 90% de sua matriz elétrica em renováveis, e cerca de metade da matriz energética como um todo -ainda há enorme dependência de combustíveis fósseis, por exemplo, na frota de veículos.
Além de movimentar setores exportadores de turbinas, o Brasil poderia, na visão de Gannoum, se tornar referência em hidrogênio verde, produzido a partir do excedente de energia eólica offshore. "As possibilidades são muitas. Temos que aproveitar esse momento", diz a presidente-executiva da Abeeólica. Gannoum e Cox seguiram de Lisboa para Madri, onde participam, entre 21 e 23 de abril, do encontro anual da WindEurope, a principal associação da indústria eólica na Europa.

Comentários

Os comentários são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam a opinião deste site. Se achar algo que viole os termos de uso, denuncie:redacao@fbcomunicacao.com.br
*Os comentários podem levar até 1 minutos para serem exibidos

Faça seu comentário