Relatório da PF cita ex-delegado da Lava Jato em caso do INSS
Documento questiona ausência de medidas cautelares contra Maurício Moscardi Grillo, que atualmente defende ex-procurador do INSS

Foto: Divulgação/PF
Um relatório de inteligência apócrifo, documento sem valor de prova formal, atribuído à Polícia Federal questiona a ausência de medidas cautelares contra o ex-delegado Maurício Moscardi Grillo no inquérito que investiga fraudes no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). O documento foi utilizado em questionamentos envolvendo o ministro André Mendonça.
O relatório cita uma petição na qual Moscardi é acusado de ter atuado de forma consciente em uma suposta operação de lavagem de dinheiro. Segundo o documento, apesar das acusações, não foram solicitadas medidas cautelares pessoais contra o ex-delegado. O texto recomenda que a PF uniformize os critérios utilizados para os investigados ou apresente as justificativas para eventuais tratamentos diferentes.
Moscardi deixou a Polícia Federal em 2024 e passou a atuar na advocacia. Atualmente, defende o ex-procurador-chefe do INSS Virgílio Antônio Ribeiro de Oliveira Filho, que foi solto na semana passada por decisão de Mendonça.
Compra de imóvel
O ex-delegado passou a ser investigado após comprar uma laje comercial em Curitiba (PR) que havia sido adquirida anteriormente por Antônio Camilo Antunes, conhecido como Careca do INSS.
Moscardi afirma que comprou o imóvel diretamente da incorporadora, depois que o negócio anterior foi desfeito. Segundo ele, a aquisição ocorreu em agosto ou setembro de 2024 e o pagamento foi feito por Pix de sua conta para a empresa.
A diferença de R$ 400 mil no valor do imóvel teria levado a PF a pedir o bloqueio desse montante em bens de Moscardi. Segundo o advogado, o pedido foi rejeitado por Mendonça.
“Meu risco foi ser o máximo transparente. Deixei exposto meu nome”, afirmou.
Moscardi também disse que se colocou à disposição para prestar depoimento, mas ainda não foi chamado.
Outros investigados
O relatório também menciona Leonardo Soares Araújo, que teria recebido R$ 4,7 milhões de Antunes, e Cléber Ribas de Oliveira. O documento questiona a diferença entre as medidas adotadas nos diferentes casos.
Moscardi foi delegado responsável pela atuação da PF no Paraná durante a Lava Jato. Ele ganhou notoriedade após afirmar, em entrevista, que a corporação havia “perdido o timing” para prender o então ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
O ex-delegado deixou a PF em 2024. Antes disso, foi punido administrativamente pela instalação de uma escuta considerada ilegal na cela do doleiro Alberto Youssef.
A citação no relatório não representa, por si só, uma conclusão judicial sobre a responsabilidade de Moscardi. O documento também é classificado como apócrifo.



