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Resort que uniu fundo ligado a Vorcaro e parentes de Toffoli hoje pertence a advogado da JBS

Atual proprietário do resort Tayayá, em Ribeirão Claro, é Paulo Humberto Barbosa, que entrou no negócio em fevereiro de 2025

Por FolhaPress
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Resort que uniu fundo ligado a Vorcaro e parentes de Toffoli hoje pertence a advogado da JBS

Foto: Reprodução

O resort que tinha como acionistas os irmãos e um primo do ministro Dias Toffoli, do STF (Supremo Tribunal Federal), e um fundo ligado à ciranda financeira montada por Daniel Vorcaro hoje está sob controle de um advogado goiano que atua para a JBS, dos irmãos Joesley e Wesley Batista.

O atual proprietário do resort Tayayá, em Ribeirão Claro (SP), é Paulo Humberto Barbosa, que entrou no negócio em fevereiro de 2025. Ele comprou a participação que era da Maridt, empresa de José Carlos e José Eugênio Dias Toffoli, irmãos do ministro do STF. Na época, o negócio foi estimado em R$ 3,5 milhões.

O primo do ministro do Supremo Mario Umberto Degani seguiu no negócio até setembro de 2025, quando também vendeu a sua parte para Paulo Humberto Barbosa.

Durante quatro anos (entre 2021 e 2025), como mostrou a Folha, os irmãos de Toffoli dividiram o controle do Tayayá com o fundo de investimentos Arleen, que faz parte da intrincada rede montada pelo ex-banqueiro Daniel Vorcaro, do Master. O primo de Toffoli, Degani, também participou da sociedade com o fundo.

Os investigadores apuram se o Master usava uma rede de fundos, hospedada na gestora Reag, para inflar o patrimônio deles artificialmente. Esses recursos se originariam em empréstimos simulados do Master para empresas que, ao invés de usar o dinheiro, aplicavam nesses fundos, que por sua vez produziam uma valorização acelerada -e muitas vezes sem comprovação- dos ativos. A suspeita é que o dinheiro desviado do Master irrigava o que os investigadores chamam de "laranjas do Vorcaro".

O fundo Arleen era sócio de parentes do ministro do STF também na DGEP (uma firma de incorporação imobiliária) desde 2021. A entrada do fundo na empresa rendeu à época R$ 3,2 milhões aos irmãos do ministro. A sede da empresa registrada na Receita Federal fica no mesmo endereço do resort Tayayá, e o email informado na criação da empresa foi gerencia@tayaya.com.br.

A saída dos irmãos de Toffoli do negócio, no ano passado, ocorreu um mês antes do anúncio de compra do Banco Master pelo BRB (Banco Regional de Brasília), tentativa essa que acabou negada pelo Banco Central.

Procurados pela reportagem, o ministro Dias Toffoli, seus irmãos, Mario Umberto Degani e Paulo Henrique Barbosa não se manifestaram.

Toffoli é hoje o relator do caso Master no STF, o que significa que as investigações contra a instituição estão sob sua responsabilidade. Vorcaro e o Master são alvo dos investigadores em inquérito que apura a venda de R$ 12,2 bilhões em créditos sem lastro para o BRB. Vorcaro chegou a ser preso nesse processo, mas foi liberado pouco tempo depois.

Nesta quarta (14), a Polícia Federal deflagrou nova fase da apuração contra Vorcaro, dessa vez centrada nos possíveis envolvidos na teia dos fundos de investimentos.

Em dezembro, Toffoli decidiu que o caso deveria ser julgado no STF e não mais na Justiça Federal de Brasília, com o argumento de que, entre os achados, havia o nome de um deputado federal (que tem prerrogativa de foro no Supremo).

Toffoli também colocou sob sigilo todo o processo. Poucos dias antes, Toffoli pegou carona num avião em que estava um advogado que trabalha no caso Master. Eles foram ao Peru assistir a um jogo de futebol.

Nos últimos anos, Barbosa advogou para a empresa e para os irmãos Wesley e Joesley Batista, donos do grupo, em causas tributárias no TJ-GO (Tribunal de Justiça de Goiás) e na Secretaria de Fazenda estadual.

A JBS afirmou em nota que Paulo Humberto defendeu a empresa em ações no estado de Goiás. "Nem a companhia nem os acionistas possuem qualquer relação com as empresas citadas ou qualquer outro negócio do advogado", acrescentou. Barbosa divide uma empresa, a Petra Participações, com Gabriel Paes Fortes, genro de José Batista Jr., irmão mais velho de Joesley e Wesley, e Renato Costa, executivo da Friboi.

Fortes disse à Folha que Barbosa advoga para ele em algumas ações de empresas que possui. "Conheci ele em Goiânia, onde moro. Não conheço através da minha relação familiar", disse. Ele afirmou também que não conhece o ministro Toffoli e nunca esteve com ele.

Paulo Humberto também adquiriu a participação dos parentes de Toffoli na DGEP. Os irmãos (via Maridt) venderam a sua fatia em fevereiro de 2025 e o primo, em setembro de 2025. Dessa forma, o advogado goiano passou a ser o único dono do resort paranaense e da DGEP.

Atualmente, parte das cotas do resort pertence à PHB Holding e Participações Ltda, de Barbosa, e o restante foi transferido para a Angra Doce Investimentos Ltda, que é formada por empresas que também pertencem ao advogado. 

O Arleen por sua vez foi liquidado em 22 de dezembro do ano passado. A decisão foi tomada no início de novembro, menos de duas semanas antes de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, ser preso ao tentar embarcar em um voo para Malta.

Na complicada cadeia de interposição de fundos, o Arleen aparece como sócio do Maia 95, citado pelos investigadores, em outro fundo, o RWM Plus.

Em nota, a defesa de Vorcaro negou qualquer irregularidade ou envolvimento do Master com fraudes, fundos ilícitos ou operações destinadas a beneficiar terceiros. Disse que a reportagem estabelece "conexões inexistentes e distorce fatos ao sugerir vínculo entre o banco, seus executivos e investimentos mencionados".

"O banco nunca foi gestor, administrador ou cotista dos referidos fundos", declarou a defesa, que disse ainda seguir colaborando integralmente com as autoridades.

O Arleen e todos os demais fundos da teia têm como gestora a Reag, que também é investigada na operação Carbono Oculto, por suspeita de lavar dinheiro para o PCC (Primeiro Comando da Capital).

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