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"Se o que está ai não está bom, não será votando nos mesmos que vamos mudar o cenário", afirma Professora Delliana

Por Da Redação
Às

"Se o que está ai não está bom, não será votando nos mesmos que vamos mudar o cenário", afirma Professora Delliana

Circula entre setores da esquerda baiana um argumento que associa o voto em Professora Delliana (Psol) a um suposto favorecimento do candidato de extrema direita João Roma (PL) na disputa pelas duas vagas do Senado Federal pela Bahia. O discurso ganhou força nas últimas semanas, justamente quando a candidata cresce nas pesquisas, e não parte oficialmente de nenhuma candidatura concorrente, mas tem destino apontado.

O argumento trata o voto como recurso escasso, como se cada escolha do eleitor subtraísse força de outra candidatura do mesmo campo. Essa lógica ignora que a disputa para a Casa Alta do Congresso Nacional vai eleger dois senadores, e que o eleitor decide a partir da pluralidade de projetos são apresentados, não de um cálculo de escassez imposto de fora.

Chama atenção a seletividade com que esse discurso é acionado. Quando favorece as candidaturas petistas mais fortalecidas na Bahia, o mesmo apelo ao voto útil é tratado como estratégia legítima de concentração de forças; quando o cálculo se inverte e passa a incomodar porque uma candidatura de esquerda fora do PT cresce, é mobilizado como ameaça. 

Essa assimetria revela que não se trata de debate legítimo sobre coligações de voto, mas de uma tentativa de constranger o eleitor a abrir mão de sua escolha mais alinhada às próprias convicções, em nome de um suposto risco que o desenho da eleição torna inexistente.

A disputa distribui duas vagas, não uma, o que muda a lógica de exclusão sugerida pelo discurso. Cada eleitor vota em até dois nomes distintos, e as duas candidaturas mais votadas entre os dez postulantes registrados na Bahia são eleitas; não há segundo turno para o cargo.

A última pesquisa Real Time Big Data, divulgada em 9 de setembro, mediu separadamente as intenções de primeiro e segundo voto, resultado que só faz sentido porque o eleitor baiano exerce, na prática, duas escolhas. Esse duplo voto é dado estrutural da eleição, não interpretação política, e esvazia tecnicamente a premissa de que apoiar a Professora Delliana significaria abrir mão de outra candidatura de esquerda.

No entanto, ainda que a eleição admitisse um único voto, o argumento não se sustentaria: o voto é expressão de convicção, não instrumento de estratégia alheia imposta sobre o eleitor. Nenhuma leitura de conjuntura tem o direito de substituir a escolha livre de quem vota por um cálculo formulado por terceiros, e cercear essa liberdade em nome de pragmatismo eleitoral é negar ao eleitor a autonomia que o próprio campo progressista diz defender.

"Não aceito essa lógica do medo. Sou candidata para representar a esquerda raiz, não para desistir porque alguém decidiu que minha candidatura é um problema. Votar na nossa candidatura é garantir a mudança da fotografia do Poder; é garantir uma mulher neste espaço de Poder decidindo sobre a nossa vida", diz Professora Delliana, rebatendo diretamente a tentativa de deslegitimar sua candidatura.

No que se refere ao apoio à reeleição do presidente Lula, Delliana é enfática: "defender Lula não significa abrir mão da minha autonomia, das minhas ideias ou da esquerda que eu represento. Meu apoio nunca foi um cheque em branco, e minha candidatura não é uma concessão que alguém possa cobrar de volta", sentencia.

Ainda sobre o assunto, a candidata pessolista afirma que "a gente já sabe como funciona. Mulher negra raramente é a preferida, e quando ocupa espaço, vem sempre alguém dizer que aquele não é o lugar dela. Não é diferente agora, e eu não vou aceitar isso calada. Se o que está ai não está bom, não vai ser votando nos mesmos que a gente vai conseguir mudar".

A Professora Delliana disputa o Senado pela Bahia ao lado de outros nove nomes, entre eles as duas candidaturas do PT, e é a única mulher na disputa pelas duas vagas baianas, o que dá à sua candidatura um significado que ultrapassa a disputa de votos e se conecta à ausência histórica de representação feminina no Senado pelo estado. Apenas a deputada federal Lídice da Mata (PSB) foi senadora pelo estado e foi retirada da disputa à reeleição justamente pelo grupo petista para dar lugar ao hoje adversário e candidato Ângelo Coronel (Republicanos).

A trajetória da postulante pessolista se sustenta por coerência: a candidata constrói carreira pública sem enfrentar denúncias, sem jamais ter sido alvo de operação, sem mudar de lado ao sabor da conjuntura e sem negar as origens que a formaram. Professora, mulher negra, orienta sua atuação pela ética e pela defesa de quem mais precisa.

Cabe a cada eleitor decidir seu voto a partir de suas próprias convicções, sem se submeter a pressões que tentam transformar uma eleição de duas vagas em um cálculo de exclusão que ela, por desenho, não comporta. Delliana representa no Congresso Nacional uma parcela do eleitorado que quase nunca chega lá. "Uma de nós no Senado".

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