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Vídeo: Ângelo Coronel diz que Rui Costa e Jerônimo Rodrigues têm “ganância pelo poder”

Parlamentar afirma que gestão do PT está “vencida” e que rompimento foi “carta de alforria”

Por Stephanie Ferreira
Às

Atualizado
Vídeo: Ângelo Coronel diz que Rui Costa e Jerônimo Rodrigues têm “ganância pelo poder”

Foto: Divulgação

BRASÍLIA - O senador Ângelo Coronel afirmou, em entrevista ao Farol da Bahia, na terça-feira (28), que houve “ganância” por parte da cúpula do PT baiano durante a definição da chapa governista para as eleições de 2026. Segundo ele, a decisão de concentrar as principais candidaturas dentro do próprio partido contribuiu para seu afastamento político do grupo.

“Os próprios membros da cúpula da Bahia, os dois candidatos ao Senado, o próprio Rui e o próprio governador [Jerônimo], que inventaram a chapa puro-sangue, demonstrando realmente uma ganância pelo poder muito grande, não abrindo para outras agremiações, também postular esses três cargos que são os mais importantes, que é a do governador e a duas vagas de senador”, disse.

Apesar da declaração, o senador garantiu que não se incomodou com a atitude. “Eu já não estava me sentindo bem dentro dessa unidade do meu. [...] Para mim, terminou sendo uma carta de alforria para eu começar a trilhar um outro caminho e com o novo agrupamento”. 

Para Coronel, a saída abriu espaço para uma atuação mais livre no Senado. Já que, segundo o senador, havia pressão para alinhamento automático às pautas do governo federal, especialmente em votações econômicas. Ele disse que hoje teria postura diferente em relação a projetos ligados ao aumento de impostos.

“Sou contra terminantemente essa elevação de impostos. Eu acho que o parque industrial, fabril, comercial e de serviço do Brasil estão todos asfixiados com a carga tributária fora do comum, onde o governo termina sendo sócio majoritário das empresas sem investir um centavo e sem correr nenhum risco”, afirmou. 

Após rompimento, Ângelo Coronel virou opositor ferrenho ao PT. Na última segunda-feira (27), declarou, durante uma entrevista ao podcast Podinquest, que não tinha votado em Lula durante as eleições de 2022, período em que ainda fazia parte da base governista. O ex-ministro Rui Costa disse, em entrevista à Metrópole, ter ficado “indignado” e afirmou que Coronel só conseguiu ser eleito senador graças ao apoio do partido em 2018.

Questionado, Coronel classificou como incoerentes as críticas feitas pelo ex-ministro após anos de parceria política. “Fui eleito senador em 2018 numa união com o PT. Em 2022 eu não fui candidato a nada. Então, não estou traindo ninguém. Eu não me inscrevi numa sigla para depois mudar para outra. Eu continuei com a minha mesma coerência”. Sobre a declaração de não ter conseguido "apertar o 13" nas urnas em 2022, o senador disse que foi para “satisfazer os petistas mais radicais”.

“Diziam: "Ah, Coronel tá com Bolsonaro, ah, Coronel tá contra Jerônimo". Eles mesmos alardeavam isso. Então eu fiz questão de ontem numa emissora de rádio para satisfazer já essas notícias que eles espalhavam e espalham o tempo todo, achando que com isso vai me depreciar. Eu disse: ‘Tudo bem, já que vocês querem isso, votei em Bolsonaro, pronto’. Então, simplesmente foi isso. Agora, eu mantive a minha coerência passada, eu votei na chapa”, afirmou. 

ACM e João Roma 

Com a troca do PSD para o Republicanos, Ângelo Coronel agora forma chapa ao lado de João Roma para as vagas do Senado, com a composição de ACM Neto e Zé Cocá para o governo do estado. Sobre a chapa, Coronel minimizou disputas internas e disse que não há negociação para ocupação de espaço entre os aliados. “São quatro candidaturas. Cada um vai disputar seu espaço.”

“Nós estamos trabalhando para isso, para que fazer com que a ACM Neto venha ser eleito na Bahia, porque eu acho que o governo atual já cansou, venceu e quando algo é vencido na prateleira ou dentro da geladeira, você tem que comprar um novo, você tem que trocar”. O senador já declarou abertamente apoio a Flávio Bolsonaro para o pleito presidencial.

PL da Dosimetria 
Ângelo Coronel foi o único senador a se abster durante a votação da PL da Dosimetria, aprovada no Congresso em dezembro do ano passado,seguiu para sanção do presidente Lula. Agora, o texto retorna ao Congresso para votação do veto presidencial, dessa vez a postura do parlamentar será outra. 

“Eu vou seguir o meu partido novo, eu estou agora no Republicanos. Vamos ter uma reunião da bancada aqui no Senado para ver qual é a melhor tendência. Eu vou seguir o partido, eu não vou sair como ave desgarrada”, afirmou.

Fim da escala 6x1
O senador também comentou o debate sobre a Pec que propõe mudanças na escala de trabalho conhecida como 6x1 e prevê a redução da jornada semanal. Coronel afirmou não ser contrário à ampliação do descanso dos trabalhadores, mas criticou a condução do governo federal acerca da pauta. 

“O governo do presidente Lula deixou para ele trazer essa pauta bomba dessa escala faltando cinco meses para as eleições. Por que não fez isso antes? Quer dizer, aí quando é agora quer que o custo seja bancado pelo empresariado. E se o governo quer fazer isso, ele tem que fazer a desoneração da folha dos setores que serão atingidos com essa mudança de jornada de trabalho” declarou. Para ele, o governo que sair de “bom mocinho”, finalizou.

Confira o vídeo abaixo

 

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