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Vídeo: Em meio à crise financeira, Prefeitura de Cruz das Almas corta salários em 20% e prevê demissões; Servidores reagem

Prefeito Ednaldo Ribeiro, do Republicanos, anunciou pacote de medidas para manter serviços

Por Da Redação
Às

Atualizado
Vídeo: Em meio à crise financeira, Prefeitura de Cruz das Almas corta salários em 20% e prevê demissões; Servidores reagem

Foto: Reprodução/Redes Sociais

O prefeito de Cruz das Almas, Ednaldo Ribeiro (Republicanos), anunciou na quarta-feira (28) um pacote de medidas para reduzir os gastos do município do Recôncavo baiano. Segundo o gestor, a cidade enfrenta dificuldades financeiras devido à queda mensal da arrecadação e à falta de liberação de mais de R$ 20 milhões em emendas parlamentares pelo governo federal.

Para tentar equilibrar as contas públicas e manter os serviços essenciais, a prefeitura prevê reduzir temporariamente em 20% os salários do prefeito, do vice-prefeito e dos secretários municipais, cortar gratificações de servidores efetivos e comissionados e exonerar parte dos funcionários.

Corte de gastos por dois meses

Em comunicado divulgado nas redes sociais, Ednaldo Ribeiro afirmou que tentou evitar as medidas, mas alegou que a situação financeira do município exige redução de despesas. Segundo ele, as mudanças devem durar dois meses, período em que a gestão espera reequilibrar as contas.

O prefeito afirmou ainda que "o objetivo é garantir a continuidade dos serviços essenciais, principalmente nas áreas de saúde, educação, serviços públicos e assistência social". Ele também disse que a administração continuará acompanhando a arrecadação para avaliar a situação financeira.

Confira o comunicado na íntegra:

Amigos e amigas de Cruz das Almas,

Estamos atravessando um período de muitas dificuldades financeiras, marcado pela recessão e pela redução dos repasses de recursos do Governo Federal. A arrecadação do município vem caindo mês a mês, enquanto mais de R$ 20 milhões em emendas parlamentares seguem sem ser pagos pelo Governo Federal.

Diante desse cenário, foi necessário cortar da própria carne para manter os serviços básicos funcionando e continuar cuidando da nossa população. Tentei evitar essa decisão de todas as formas, mas, infelizmente, chegamos a uma situação em que não há como agir de maneira diferente.

Por isso, anuncio a redução temporária de 20% nos salários do prefeito, do vice-prefeito e dos secretários, além de cortes nos valores de gratificações dos servidores públicos efetivos e comissionados. Também será necessário realizar algumas exonerações para que o município cumpra os índices exigidos.

Essas medidas têm como objetivo contribuir para o equilíbrio das contas e garantir a continuidade dos serviços essenciais, especialmente nas áreas de saúde, educação, serviços públicos e assistência social.

A previsão é que sejam válidas por dois meses, período em que esperamos que a situação financeira seja equacionada.

Seguiremos acompanhando as receitas e trabalhando para superar este momento com muita responsabilidade. Peço a compreensão de todos.

Assunto gera repercussão na cidade e oposição reage 

A decisão da prefeitura provocou reação imediata da oposição. A deputada estadual e servidora pública Professora Ilza (PCdoB) repudiou o pacote de austeridade, classificando as medidas como reflexo de "falta de planejamento e uso irresponsável do dinheiro público". Em vídeo compartilhado nas redes sociais, Professora Ilza também disse estar "indignada com o que ele disse naquela nota".  

"Ele, revoltado [com o resultado das eleições, porque esperava a eleição de Flávio Bolsonaro], começa a fazer o "tesouraço". Portanto, ontem, no Dia do Servidor Público, ele publica uma nota falando de corte. Acontece que não existe essa baixa de arrecadação, como ele fala. Não há motivos reais", define a professora. "Eu gravei [o vídeo] hoje e já é o tema da cidade, é a repercussão da cidade, é essa ação do prefeito. Eu acho que ele entra nesse conjunto das perseguições políticas que têm acontecido pelo Brasil afora".

Segundo a parlamentar, ao Farol da Bahia, a prefeitura realizou altos investimentos em grandes festejos, como o São João e a Expoflores, inclusive durante o período eleitoral, e agora repassa a conta da crise financeira para o funcionalismo público. A oposição também levantou suspeitas sobre o prazo de dois meses fixado para os cortes, questionando a transparência nas demissões e cobrando a prestação de contas detalhada dos recursos gastos nos eventos promovidos pelo município.

"Mas o que a gente sabe dos bastidores é que tem uma lista de pessoas que têm cargos comissionados, contratos que ele coloca e está procurando uma forma de demitir essas pessoas e pressionar também aqueles servidores efetivos que não caminham com ele. Então, é um prefeito que no seu histórico tem essa questão da perseguição", continua a denúncia.

"Até os servidores que estavam aposentados e ainda na ativa trabalhando, já receberam a carta comunicando para eles entregarem os cargos, porque não vão poder mais trabalhar. A gente sabe que depois de 2019 não é obrigado o município manter, mas manteve. Então, por que essa troca só agora?", questiona. 

Veja vídeo publicado pela deputada: 

 

 

Além disso, a deputada enviou em denúncia ao Farol da Bahia, um gráfico, feito por um professor de matemática do município, que segundo ela, demonstra os repasses municipais e "mostra que não há motivos reais para este corte que ele está dizendo que é necessário fazer". Veja abaixo: 

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