Vírus Oropouche pode ter infectado milhões no Brasil, diz estudo
Dados apontam subnotificação de casos no país

Foto: Reprodução/Pixabay
O surto recente do vírus Oropouche acendeu um alerta de saúde pública no Brasil. Embora mais de 30 mil casos tenham sido registrados oficialmente em 2023, estudos indicam que o número real de infecções pode ser muito maior.
Pesquisas, publicadas nesta terça-feira (24) nas revistas científicas Nature Medicine e Nature Health, apontam que o vírus já pode ter infectado cerca de 9,4 milhões de pessoas na América Latina e no Caribe desde 1960. Só no Brasil, a estimativa é de aproximadamente 5,5 milhões de casos.
Os dados revelam um cenário de forte subnotificação e mostram que o vírus, antes concentrado na região amazônica, já se espalhou por todo o país.
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A doença provoca febre e sintomas semelhantes aos da dengue, mas pode evoluir para quadros graves. Entre as complicações estão problemas neurológicos, como meningite e meningoencefalite, além de risco de microcefalia em casos de transmissão durante a gestação.
Segundo os pesquisadores, cerca de um a cada mil casos pode evoluir para formas graves, o que aumenta a preocupação das autoridades de saúde.
O avanço da doença levou a Organização Mundial da Saúde a emitir um alerta e pedir o desenvolvimento mais rápido de medidas de prevenção e controle.
Em cidades como Manaus, o impacto pode ter sido muito maior do que o registrado. Estimativas apontam que cerca de 300 mil pessoas foram infectadas entre 2023 e 2024, número até 260 vezes superior ao oficial.
Especialistas explicam que a subnotificação ocorre porque muitos casos são leves ou assintomáticos, além da dificuldade de acesso a serviços de saúde, principalmente em regiões mais remotas da Amazônia.
Esse cenário favorece a circulação silenciosa do vírus e ajuda a explicar a rápida disseminação pelo Brasil e por outros países da América Latina.


