Advogado acusa deputado de Roraima de racismo após vídeo que ridiculariza cabelo black power
Yano Rodrigues da Silva registrou boletim de ocorrência contra Marcinho Belota (PL)

Foto: Reprodução/Redes Sociais
O advogado Yano Rodrigues da Silva, de 25 anos, acusa o deputado estadual Marcinho Belota (PL) de racismo após o parlamentar publicar um vídeo nas redes sociais em que utiliza um filtro que destaca cabelos cacheados e volumosos. Segundo Yano, a publicação ridiculariza seu cabelo black power. O advogado registrou um boletim de ocorrência e pede que o caso seja investigado como injúria racial.
A Polícia Civil informou nesta quinta-feira (22) que o caso está sob investigação. Em nota enviada ao portal g1, Belota afirmou repudiar qualquer forma de racismo, preconceito ou discriminação. “O respeito à dignidade humana sempre foi e continuará sendo um princípio fundamental da minha conduta pessoal e pública”, declarou.
O episódio ocorreu após uma discussão entre Yano, o deputado e a blogueira de direita Athally Albuquerque (Republicanos), durante uma visita dos dois à Universidade Federal de Roraima (UFRR). Por volta das 21h daquele dia, Belota publicou um vídeo nos stories do Instagram usando um filtro de cabelo volumoso e dizendo: “Querido, pra que essa agressividade? Meu Deus!”, antes de mandar um beijo.
Para o advogado, a publicação foi uma forma de debochar de sua aparência e expô-lo publicamente.
“O deputado poderia muito bem ter discutido comigo em relação à minha posição política, em relação aos questionamentos que eu fiz a ele. Ele preferiu fazer a utilização de um recurso racista que nós chamamos de racismo recreativo”, afirmou Yano.
O advogado disse que respondeu ao story, apontando o caráter racista do conteúdo, mas não recebeu retorno. Depois, compartilhou o vídeo, que também foi gravado por outras pessoas. No dia seguinte, publicou que havia denunciado o parlamentar. Belota respondeu: “🤣 tá bom.💓”.
Yano relatou ainda que passou a receber comentários racistas nas redes sociais, incluindo uma mensagem que dizia: “Vontade de pôr fogo no cabelo desse vagabundo!!!!”.
“Eu fui uma criança vítima de racismo e hoje eu me vejo um adulto que enfrenta o racismo. Eu passo por situações de racismo, mas eu não me vejo mais como uma vítima porque agora eu consigo me defender”, declarou.
Segundo o advogado, após a repercussão, o deputado publicou outros dois stories com efeitos visuais diferentes. Yano avalia que as novas publicações foram uma tentativa de justificar o conteúdo anterior.
Advogado questiona Assembleia Legislativa
Yano também criticou a falta de posicionamento da Assembleia Legislativa de Roraima (ALE-RR) sobre o episódio. Para ele, a atuação do parlamentar nas redes sociais deve ser considerada também diante do uso de recursos públicos para divulgação de atividades.
Em julho de 2026, Marcinho Belota declarou gastos de R$ 34,8 mil com divulgação de atividades parlamentares em diferentes meios de comunicação, blogs e influenciadores digitais. Os dados constam na área de verbas indenizatórias do site da Assembleia.
Reeleito deputado estadual neste ano com 11.441 votos, a maior votação entre os candidatos ao cargo, Belota construiu sua trajetória política com discurso voltado à defesa da causa animal.
Além de advogado, Yano é ativista climático em Roraima e conselheiro do Conselho Estadual de Promoção da Igualdade Racial. Ele afirmou já ter participado de audiências públicas e campanhas de combate ao racismo promovidas pela Assembleia Legislativa.
O g1 procurou a ALE-RR, mas não obteve resposta até a última atualização da reportagem.
Entenda o caso na UFRR
De acordo com Yano, ele chegou à universidade e encontrou Belota discursando para estudantes. Em um vídeo, o deputado afirma que retiraria novamente os panfletos caso fossem colocados outra vez, alegando que o material continha informações falsas.
Durante a discussão, o advogado questionou a atuação do parlamentar em relação à Universidade Estadual de Roraima (UERR). Segundo ele, a pergunta considerava as atribuições de um deputado estadual nas áreas de educação, participação cidadã e democracia.
A Polícia Federal investiga o episódio na UFRR. Nesta quinta-feira (22), o Ministério Público Eleitoral reforçou o pedido para que a PF apure as invasões à instituição.
No sábado (17), um dia após a visita do deputado e da blogueira, outro grupo, suspeito de estar armado, entrou na universidade, interrompeu aulas, intimidou servidoras e retirou cartazes.
Diante dos episódios, a reitoria da UFRR solicitou reforço na segurança do campus Paricarana, com apoio da Polícia Federal, da Polícia Rodoviária Federal e da Força Nacional.


