Brasileiros aptos a votar no exterior se mobilizam para reverter abstenção no 2º turno

No primeiro turno, dos 916,5 mil cadastrados para votar, apenas 341,8 mil compareceram às urnas

Por Da Redação
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Brasileiros aptos a votar no exterior se mobilizam para reverter abstenção no 2º turno

Foto: Fábio Pozzebom/Agência Brasil

Seis em cada dez brasileiros aptos a votar no exterior não compareceram às urnas no primeiro turno da eleição presidencial. O total da abstenção (62,7%) é maior desde 2010, de acordo com o Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

O número de eleitores fora do Brasil que se cadastraram para votar neste ano foi recorde: 916,5 mil, aumento de 31,8% em relação a 2022, e o maior contingente desde 1989. No entanto, menos de 341,8 mil compareceram às seções, que são espalhadas por 186 cidades e 134 países.

Para tentar mudar o cenário no segundo turno, marcado para acontecer no dia 25 de outubro, eleitores de vários países se articulam para oferecer caronas e estadia a quem encontrou dificuldades para votar no último dia 4. 

O programador Felipe Costa vive há oito anos na Inglaterra e deveria votar junto com a esposa em Londres, a cerca de 350 km de casa. No entanto, o local de votação dele foi transferido para Edimburgo, na Escócia.

O casal optou por decidir quem iria se abster do direito ao voto e ele garantiu que a esposa votasse. "Eu não consegui votar, o custo sempre foi um problema", diz Costa. A família não tinha condições de arcar com as despesas de duas viagens. O pernoite pode custar cerca de 120 libras (quase R$ 800). "Foi uma sensação de impotência e injustiça."

Na internet, o casal encontrou uma postagem do perfil "Voto Sem Fronteiras" e conseguiu combinar com uma brasileira estadia na véspera da votação, além de carona para a esposa em Londres, sem custos. 

O "Voto Sem Fronteiras" foi criado pela gerente de projetos Tamara Menezes, que mora na Alemanha, e se incomodou com os dados de abstenção.

Através de um formulário fixado no perfil do Instagram, ela conecta quem precisa de carona ou estadia a quem oferece vagas no carro ou lugar para dormir. 

"A intenção era fazer o que estivesse ao meu alcance para que mais gente conseguisse votar. Não acho justo que deixem de fazer isso porque moram longe da urna", afirma.

No primeiro turno, Flávio Bolsonaro (PL) teve 2,2 milhões de votos a mais que Luiz Inácio Lula da Silva (PT), diferença de 1,87%.

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