Bruna Marquezine e a liberdade de escolha: quando dizer “não” à maternidade também é um ato de consciência!
Ao afirmar que não sente o “chamado” para ser mãe e que a adoção seria sua primeira opção no futuro, atriz reacende um debate sobre autonomia feminina e pressões sociais

Foto: Redes Sociais
A declaração de Bruna Marquezine sobre não ter planos para a maternidade neste momento repercutiu de forma positiva nas redes sociais e abriu espaço para uma conversa cada vez mais necessária: o direito da mulher de ser fiel à própria verdade, mesmo quando ela confronta expectativas históricas. Sem rodeios, a atriz afirmou que nunca sentiu o chamado para ser mãe e que, caso mude de ideia no futuro, a adoção seria o caminho mais natural para ela.
A fala foi elogiada por internautas, que destacaram a maturidade e a lucidez de Bruna ao priorizar suas escolhas pessoais em um tema ainda cercado de cobranças silenciosas. Para a neurocientista e especialista em desenvolvimento infantil, Telma Abrahão, esse posicionamento representa um avanço importante na forma como a maternidade vem sendo discutida socialmente. “Nem toda mulher deseja ser mãe, e isso não a torna menos mulher, menos completa ou menos digna. Respeitar essa escolha é fundamental para uma sociedade emocionalmente mais saudável”, afirma Telma.
Segundo a especialista, o ponto central do debate não está em querer ou não ter filhos, mas em compreender de onde nasce essa decisão. Do ponto de vista neuroemocional, muitas escolhas da vida adulta são atravessadas por experiências precoces, vínculos afetivos e modelos de cuidado vivenciados na infância.
“Existe em nós um anseio natural por vínculo, pertencimento e continuidade, mas esse desejo não precisa, obrigatoriamente, se manifestar por meio da maternidade biológica. Ele pode ganhar outras formas, projetos, relações, cuidado com o outro, adoção, ou simplesmente escolhas que respeitam o próprio tempo”, explica.
Telma alerta, no entanto, para a importância da consciência emocional nesse processo. “A decisão é absolutamente legítima quando vem de um lugar de autonomia. O que merece atenção é quando o ‘não’ nasce de dores não elaboradas, como medo de repetir padrões familiares, ausência de referências de cuidado ou marcas de negligência emocional”.
Para a neurocientista, falas públicas como a de Bruna ajudam a deslocar o tema do campo do julgamento para o da reflexão. “Quando uma mulher diz que não quer ser mãe, o mais saudável não é criticar, mas acolher e compreender. A pergunta não deve ser ‘por que não?’, e sim ‘essa escolha está conectada com quem ela é hoje?’.”
Em um cenário em que figuras públicas passam a tratar a maternidade com mais honestidade e menos romantização, especialistas reforçam que o verdadeiro avanço social está menos em impor o desejo de ser mãe, e mais em garantir que cada mulher possa decidir a partir de um lugar consciente, livre de culpa e de pressões invisíveis.

