Chocolate sem gordura existe sim e é brasileiro!
O primeiro produto do tipo no mundo foi criado por um engenheiro químico de Goiás

Foto: Namie Yoshioka / Nutricandies
A ideia inicial era desenvolver uma guloseima mais saudável e nutritiva para a alimentação infantil. O resultado foi além. Após 10 anos de aprimoramento, o engenheiro químico Gustavo Rocha afirma ter, enfim, chegado ao sonho de todo o chocólatra: um produto sem gordura ou conservantes. Todos os chocolates convencionais usam algum tipo de manteiga, que é o elemento responsável pela estrutura sólida e a cremosidade características do alimento. Na inovação, a gordura foi substituída por fibras. Por isso, segundo Gustavo, a maior dificuldade foi atingir a estabilidade físico-química para controlar a Atividade de Água e estabilizar o chocolate à temperatura ambiente, "isso sem o uso de conservantes, visto que a formulação desenvolvida era propícia para proliferação de bolores e leveduras." O obstáculo foi contornado.
"A alta viscosidade associada a baixa Atividade de Água torna o produto estável sem a necessidade de conservantes. Como não contém gordura, o chocolate apresenta maior estabilidade, pois não rancifica com o tempo", explicou.
A inovação também evidencia a importância dos profissionais da Química na indústria de alimentos. De acordo com o conselheiro federal do Conselho Federal de Química (CFQ) Jonas Comin esses especialistas são fundamentais tanto na inovação quanto no controle de qualidade.
“A fabricação de alimentos envolve diversas reações químicas. Ao compreendê-las, é possível desenvolver novos produtos e ajustar sua composição, como reduzir gordura ou aumentar o teor proteico, sem comprometer as características essenciais”, destaca.
Rocha concorda com Jonas Comin e explica que, como engenheiro químico, trabalha justamente na transformação de matérias-primas em produtos seguros, estáveis e escaláveis.
“Isso significa entender como os ingredientes se comportam, desenvolver formulações e estruturar processos que garantam qualidade e produção em larga escala. Meu papel é conectar ciência e indústria para transformar inovação em alimento de verdade", explica Rocha.
Além do desenvolvimento de novos produtos, os profissionais da área também garantem a segurança dos alimentos. Isso inclui o cumprimento de padrões sanitários, prevenção de contaminações, rastreabilidade e adequação às normas de rotulagem.
“Não basta inovar, é preciso assegurar que o produto seja seguro e esteja em conformidade com as exigências regulatórias”, finalizou Comin.

