Comandante da FAB de Lula é citado em articulação de general condenado para eventual governo Flávio Bolsonaro, diz site
Segundo portal, Augusto Heleno participa de movimentação para indicar nomes às Forças Armadas e aposta em anistia caso candidato do PL vença a eleição

Foto: Lula Marques/Agência Brasil | Geraldo Magela/Agência Senado | Valter Campanato/Agência Brasil | Divulgação/Charles Vieira
O general Augusto Heleno, condenado a 21 anos de prisão por envolvimento na tentativa de golpe de Estado de 2022, estaria articulando nomes para ocupar cargos militares em um eventual governo de Flávio Bolsonaro (PL). Entre os envolvidos na movimentação estaria o atual comandante da Força Aérea Brasileira (FAB), Marcelo Kanitz Damasceno, nomeado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em 2023.
As informações foram divulgadas nesta quarta-feira (21) pelo ICL Notícias, que ouviu fontes militares sobre as articulações às vésperas do segundo turno da eleição presidencial, marcado para domingo (25).
Segundo a investigação, uma reunião realizada na terça-feira (20) com integrantes da cúpula da Aeronáutica teria discutido indicações apoiadas por Heleno. A preferência seria por militares que permaneceram leais ao general mesmo após sua condenação pelo Supremo Tribunal Federal (STF).
A FAB contestou parte das informações. Em nota ao ICL, afirmou que Damasceno não participou de reunião com Augusto Heleno e que, na data mencionada, estava no Rio de Janeiro, onde ministrou uma palestra na Universidade da Força Aérea (Unifa).
O ICL esclareceu que não afirmou que Heleno participou pessoalmente do encontro e que preservou detalhes sobre sua realização para proteger as fontes.
Comandante da FAB ocupou cargo no governo Bolsonaro
Embora tenha assumido o comando da Aeronáutica por indicação de Lula, Damasceno já integrava a cúpula militar durante o governo Jair Bolsonaro.
Em outubro de 2020, foi nomeado pelo então presidente para chefiar o Estado-Maior da Aeronáutica, função que exerceu até dezembro de 2022.
Sua escolha para comandar a FAB, em janeiro de 2023, seguiu o critério de antiguidade da carreira militar. Na posse, Damasceno mencionou a resistência de pessoas próximas à decisão de assumir o posto no governo petista.
“E que a incompreensão de alguns mais próximos reverta-se em futuro entendimento”, declarou na ocasião.
Heleno foi um dos principais aliados de Bolsonaro
Ex-ministro-chefe do Gabinete de Segurança Institucional (GSI), Augusto Heleno integrou o núcleo mais próximo de Jair Bolsonaro durante seu mandato.
Durante a ditadura militar, foi ajudante de ordens de Sylvio Frota, general contrário à abertura política. Já no primeiro governo Lula, comandou a missão de paz da ONU no Haiti, marcada por denúncias de mortes de civis em operações militares.
Na investigação sobre a tentativa de golpe, a Polícia Federal encontrou anotações de Heleno relacionadas a estratégias para questionar a credibilidade das urnas eletrônicas.
Em reunião ministerial de julho de 2022, ele chegou a defender medidas antes da eleição presidencial. “Se tiver que virar a mesa, é antes das eleições”, afirmou.
Condenado pelo STF, o ex-ministro cumpre prisão domiciliar desde dezembro de 2025 por razões de saúde.
Articulação prevê cargos para aliados de Bolsonaro
De acordo com o ICL, Marcos Degaut, ex-secretário de Produtos de Defesa do governo Bolsonaro, seria um dos nomes considerados para assumir o Ministério da Defesa.
A articulação também incluiria Alexandre Ramagem, ex-diretor da Agência Brasileira de Inteligência (Abin), para o comando da Polícia Federal.
Ramagem foi condenado a 16 anos de prisão pela tentativa de golpe e está foragido nos Estados Unidos.
Anistia poderia beneficiar Bolsonaro e aliados
A reportagem do ICL aponta que Heleno também aposta em uma eventual vitória de Flávio Bolsonaro para conseguir uma anistia aos condenados pela tentativa de golpe.
A medida poderia beneficiar o próprio general e Jair Bolsonaro, condenado a 27 anos e três meses de prisão por participação na trama para impedir a posse de Lula.
A aprovação de uma anistia dependeria do Congresso Nacional e poderia ser questionada no STF. Apesar de ter ampliado sua bancada nas eleições deste ano, o PL precisaria do apoio de outros partidos para aprovar a proposta.
A defesa de Heleno, Damasceno e a campanha de Flávio Bolsonaro foram procurados pelo ICL Notícias, mas não haviam se manifestado até a publicação da reportagem.


