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Especialista explica sobre Neurofeedback: tecnologia que permite ao cérebro treinar sua autorregulação!

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Por Michel Telles
Às

Especialista explica sobre Neurofeedback: tecnologia que permite ao cérebro treinar sua autorregulação!

Foto: Divulgação

Em um cenário marcado pelo excesso de estímulos, dificuldades de concentração e crescente preocupação com a saúde mental, uma técnica que utiliza a própria atividade cerebral como ferramenta de treinamento vem despertando interesse na área da saúde. Conhecido como neurofeedback, o método não invasivo permite acompanhar, em tempo real, os sinais elétricos do cérebro e utiliza essas informações para estimular o aprendizado de padrões de autorregulação relacionados à atenção e ao relaxamento.

Também chamado de biofeedback por eletroencefalograma (EEG), o neurofeedback funciona como uma espécie de espelho para o cérebro. Durante as sessões, sensores posicionados no couro cabeludo captam a atividade elétrica cerebral, que é transformada em estímulos visuais ou auditivos apresentados ao paciente. O procedimento não envia correntes elétricas ao cérebro e busca favorecer o aprendizado por meio da repetição e do retorno imediato das informações.

Segundo o psicólogo Lucas Calmon, especialista em treinamento de neurofeedback e responsável pela realização da técnica no Núcleo Desenvolver, a proposta está relacionada à capacidade do cérebro de aprender e adaptar seus padrões de funcionamento. “O neurofeedback parte de um princípio muito interessante: oferecer ao cérebro informações sobre sua própria atividade para que ele possa exercitar a autorregulação. É uma abordagem que une tecnologia e conhecimento sobre o funcionamento cerebral, respeitando as particularidades de cada indivíduo”, explica.

Na prática, o paciente pode assistir a um vídeo, ouvir uma música ou participar de uma atividade digital enquanto um software acompanha suas ondas cerebrais. Quando determinados padrões previamente estabelecidos são identificados, o sistema oferece respostas positivas, como a continuidade de uma imagem ou a manutenção do som. Esse mecanismo de recompensa procura estimular o aprendizado gradual de novas respostas cerebrais.

No Núcleo Desenvolver, o treinamento é conduzido por Lucas Calmon, considerando as necessidades individuais e os objetivos estabelecidos para cada acompanhamento.

 

A técnica tem sido investigada em diferentes contextos, incluindo transtorno de déficit de atenção e hiperatividade (TDAH), ansiedade, alterações do sono, depressão e dificuldades relacionadas à regulação emocional. Também desperta interesse no campo do desempenho cognitivo, especialmente em atividades que exigem concentração e controle da atenção. Entretanto, as evidências científicas ainda variam conforme a condição estudada, e seus benefícios clínicos não estão estabelecidos de maneira uniforme.

“Quando falamos em saúde cerebral, precisamos compreender que não existe uma solução única para todos. O mais importante é avaliar cada pessoa de maneira individualizada, identificar suas necessidades e entender como diferentes recursos podem contribuir para um acompanhamento mais completo. A tecnologia deve estar a serviço do cuidado, e não substituir uma avaliação criteriosa”, destaca Marina Maia, CEO do Núcleo Desenvolver.

O acompanhamento pode envolver uma avaliação inicial da atividade cerebral e, em determinados protocolos, um mapeamento por eletroencefalografia quantitativa (qEEG). Essas informações podem auxiliar na definição das estratégias de treinamento, embora não substituam o diagnóstico clínico nem determinem, isoladamente, a necessidade ou a eficácia do procedimento.

Para a CEO do Núcleo Desenvolver, o avanço de recursos voltados ao funcionamento cerebral amplia as possibilidades de discussão sobre prevenção, bem-estar e cuidado individualizado. “Precisamos olhar para a saúde de forma integrada, considerando corpo, mente e comportamento. Conhecer novas ferramentas é importante, mas utilizá-las com responsabilidade, critérios técnicos e expectativas realistas é fundamental para oferecer um cuidado de qualidade”, conclui.

O neurofeedback deve ser considerado dentro de uma avaliação profissional e, quando indicado, como recurso complementar, sem substituir tratamentos médicos ou psicológicos com eficácia estabelecida.

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