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Marjorie Estiano fala sobre maternidade, traumas familiares e o peso emocional por trás da escolha de não ter filhos!

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Por Michel Telles
Às

Marjorie Estiano fala sobre maternidade, traumas familiares e o peso emocional por trás da escolha de não ter filhos!

Foto: Reprodução/Instagram/

A sinceridade de Marjorie Estiano ao falar sobre maternidade abriu uma conversa delicada, mas profundamente necessária. Aos 44 anos, a atriz contou que sua decisão de não ter filhos esteve diretamente ligada à relação difícil que viveu com a mãe e às dores emocionais que carregou ao longo da vida. “Rejeitava o romantismo e tudo que fosse mais amoroso e afetivo nas minhas relações”, afirmou durante a entrevista. “Não quero ter filhos, não quero ter descendentes. Depois fui entendendo que isso era uma defesa".

A declaração repercutiu justamente por tocar em um tema que muitas mulheres vivem em silêncio: quando a recusa à maternidade não nasce da falta de amor, mas do medo de repetir histórias, vínculos ou feridas emocionais.

Para a especialista em autodesenvolvimento e autoamor, Renata Fornari, a fala de Marjorie tem potência justamente por humanizar uma escolha que costuma ser tratada de forma superficial pela sociedade. “Nem toda mulher que diz ‘não’ à maternidade está simplesmente rejeitando a ideia de ter filhos. Muitas vezes, ela está tentando se proteger de dores, padrões familiares difíceis ou experiências emocionais que ainda não foram elaboradas”, explica.

Segundo Renata, existe uma diferença importante entre uma escolha consciente e uma decisão construída a partir de mecanismos de defesa emocionais. “Quando crescemos em ambientes onde amor, cuidado e afeto vieram acompanhados de conflito, ausência ou sofrimento, é natural que o cérebro associe vínculos profundos a perigo emocional. Algumas mulheres passam a rejeitar tudo aquilo que simboliza entrega, intimidade ou construção familiar sem perceber que existe uma dor por trás dessa recusa”, afirma.

A especialista reforça que isso não invalida a decisão de não ser mãe, mas torna o debate mais honesto e menos binário. “Existe uma romantização muito intensa da maternidade, mas também existe uma romantização da independência emocional absoluta. O mais importante é entender de onde vem a escolha. Ela nasce da liberdade ou da autoproteção? Essa é a pergunta mais importante”, diz.

Nos últimos anos, mulheres públicas passaram a falar com mais transparência sobre a decisão de não ter filhos, rompendo com a ideia de que maternidade deve ser um destino obrigatório. Ainda assim, especialistas alertam que olhar para a própria história emocional continua sendo essencial nesse processo.

“Autoconhecimento também é revisitar as próprias rejeições. Às vezes, aquilo que a gente acredita não desejar foi apenas algo que aprendemos a não acessar emocionalmente para sobreviver”, conclui Renata.

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