Nos últimos capítulos, “Três Graças” coloca o autismo no centro da novela e emociona famílias brasileiras!
Psiquiatra, Dra. Thaíssa Pandolfi, afirma que muitas crianças ainda enfrentam sofrimento dentro das escolas por falta de preparo para acolher alunos neurodivergentes

Foto: Tv Globo
Em reta final, a novela Três Graças transformou uma das histórias mais comentadas da trama em um retrato delicado da realidade enfrentada por milhares de famílias brasileiras. Ao abordar o autismo dentro do ambiente escolar, a produção provocou identificação imediata de pais, mães e adultos diagnosticados tardiamente que viveram experiências semelhantes na infância.
Para a psiquiatra Thaíssa Pandolfi, especialista em neurodivergência e superdotação, o maior desafio continua sendo a forma como crianças autistas ainda são interpretadas dentro das escolas. “Muitas vezes, comportamentos ligados ao autismo são confundidos com indisciplina, birra ou dificuldade de convivência. A criança passa a ser vista como problema quando, na verdade, está tentando lidar com um ambiente que não consegue acolher as suas necessidades”, afirma.
Segundo a médica, a ausência de suporte adequado acaba criando marcas emocionais profundas ainda nos primeiros anos de vida. “Quando uma criança cresce ouvindo que é exagerada, estranha ou complicada, ela aprende cedo a esconder traços da própria personalidade para conseguir se encaixar. Isso pode gerar ansiedade, exaustão emocional e uma sensação constante de inadequação”, explica.
Thaíssa também destaca que muitas famílias só começam a buscar informação depois que percebem sinais persistentes de sofrimento emocional, dificuldade de socialização ou crises frequentes dentro do ambiente escolar. “Em muitos casos, a criança passa anos sendo tratada apenas como tímida, difícil ou sensível demais. Quanto mais tardio é o acolhimento, maior costuma ser o impacto emocional”, diz.
Para a especialista, quando a televisão retrata esse tipo de experiência de forma sensível, ajuda muitas famílias a reconhecerem comportamentos que antes eram ignorados. “Uma novela consegue levar informação para pessoas que talvez nunca procurariam conteúdo técnico sobre autismo. Muitas famílias começam a observar sinais justamente depois de se identificarem com histórias parecidas na ficção”, afirma.
Nos últimos capítulos, Três Graças ampliou a conversa nas redes sociais sobre inclusão escolar, preparo de professores e acesso a acompanhamento especializado, temas que seguem presentes na rotina de milhares de famílias brasileiras.

