O que a Birkin escolhida por Mariann McClay, na convocação da Seleção Brasileira, revela sobre o novo comportamento do luxo!
Tamara Lorenzoni, especialista em mercado de luxo, fala como peças discretas, carregadas de herança e raridade, viraram o desejo entre consumidores de alta exigência

Foto: Redes Sociais
Entre os flashes da primeira convocação oficial de Carlo Ancelotti como técnico da Seleção Brasileira, um detalhe atravessou o universo esportivo e ganhou espaço entre os portais de lifestyle e mercado de luxo: a Birkin 30, da Hermès, escolhida por Mariann McClay. Em tons de preto e bege e avaliada em cerca de R$ 180 mil, a peça sintetiza um movimento cada vez mais forte entre consumidores de alta exigência: o retorno de um luxo pautado por discrição, permanência e capital cultural.
Longe de uma estética marcada por logotipos evidentes ou excesso visual, acessórios desse universo passaram a representar muito mais do que status imediato. São objetos associados à herança das maisons, à excelência artesanal e à construção simbólica de valor, características que vêm redefinindo a forma como o desejo é construído no mercado internacional de luxo.
Para a estrategista de marcas com atuação internacional e especialista em mercado de luxo, Tamara Lorenzoni, a escolha de Mariann McClay evidencia uma transformação importante na relação contemporânea com consumo e imagem. “Existe uma diferença muito clara entre ostentação e presença. O consumidor contemporâneo do luxo já não busca apenas reconhecimento imediato, mas uma narrativa capaz de sustentar permanência, singularidade e herança. Peças como essa não operam apenas no campo do consumo, mas da construção simbólica de valor. Existe raridade, excelência artesanal e uma sutileza que conversa diretamente com um público de alta exigência”, analisa.
Segundo Tamara, o chamado luxo silencioso deixou de ser apenas uma direção estética para se tornar uma expressão cultural ligada à identidade e ao repertório. “O verdadeiro desejo no mercado de luxo nasce daquilo que não precisa se explicar o tempo todo. Existe uma curadoria muito precisa por trás dessas escolhas. Quando uma figura pública aparece com um acessório assim, ela comunica capital cultural, repertório e uma relação mais refinada com consumo e imagem”, afirma.
A especialista observa ainda que grandes maisons internacionais vêm fortalecendo atributos ligados à permanência e ao legado, em contraste com movimentos mais efêmeros impulsionados pela lógica acelerada das redes sociais. “O luxo contemporâneo está cada vez menos associado ao excesso e mais conectado à experiência, à memória e à consistência estética. O que cria valor hoje não é apenas o produto em si, mas a narrativa que antecede esse objeto e a capacidade da marca de manter sua relevância ao longo do tempo”, conclui.

