Pacientes com câncer de mama vivem mais e melhor do que há dez anos!
Aos detalhes...

Foto: Divulgação
Receber o diagnóstico de câncer de mama continua sendo um momento desafiador. Mas a realidade enfrentada pelos pacientes hoje é muito diferente daquela de uma década atrás. Avanços na pesquisa, novas classes de medicamentos e uma compreensão cada vez mais detalhada da biologia dos tumores têm permitido tratamentos mais eficazes, menos tóxicos e com melhores resultados.
Os dados apresentados na ASCO 2026, maior congresso de oncologia do mundo, reforçam essa transformação. Segundo a oncologista Mayana Lopes, do Grupo HERA, a medicina vive uma nova fase no cuidado com o câncer de mama, marcada pela personalização dos tratamentos e pela busca não apenas de mais sobrevida, mas também de mais qualidade de vida.
"Hoje entendemos que não existe um único câncer de mama. Existem diferentes subtipos da doença, cada um com características próprias e que respondem de formas distintas aos tratamentos. Esse conhecimento permitiu avanços importantes e ajudou a tornar as terapias mais assertivas", explica.
Entre as principais mudanças observadas nos últimos anos está a ampliação das terapias-alvo e da medicina de precisão. Ao identificar características específicas do tumor, os médicos conseguem selecionar tratamentos mais adequados para cada paciente, aumentando as chances de resposta e reduzindo efeitos colaterais desnecessários.
Outro avanço importante é a capacidade de monitorar a evolução da doença de forma cada vez mais precisa. Estudos apresentados durante o congresso apontam caminhos para identificar mais rapidamente quando um tratamento deixa de funcionar, permitindo ajustes precoces na estratégia terapêutica.
A qualidade de vida também ganhou protagonismo nas discussões científicas. Se antes o foco principal era prolongar a sobrevida, hoje a preocupação é garantir que os pacientes possam viver mais e melhor durante e após o tratamento.
"Cada vez mais avaliamos não apenas quanto tempo o paciente vive, mas como ele vive. Manter autonomia, bem-estar e capacidade de realizar suas atividades faz parte dos objetivos do tratamento moderno", destaca Mayana.
Outro tema que chamou atenção na ASCO 2026 foi a relação entre obesidade e câncer. Estudos envolvendo medicamentos da classe dos agonistas de GLP-1, como a tirzepatida, princípio ativo do Mounjaro, vêm investigando de que forma o controle do peso pode impactar o risco e a evolução de diferentes tipos de câncer, incluindo o de mama.
Além disso, hábitos de vida saudáveis seguem ganhando espaço dentro da oncologia. Alimentação equilibrada, atividade física regular e acompanhamento multidisciplinar aparecem cada vez mais associados a melhores desfechos para os pacientes.
Para a especialista, a principal mensagem deixada pelo congresso é de otimismo.
"Os avanços continuam acontecendo em um ritmo acelerado. Hoje conseguimos oferecer tratamentos muito mais personalizados do que há dez anos e isso se reflete diretamente na sobrevida e na qualidade de vida dos pacientes com câncer de mama."

