Projeto voluntário de jornalistas em escolas aproxima crianças e adolescentes do mundo das notícias!
Iniciativa já passou por escolas públicas e privadas, com atividades presenciais e online para crianças e adolescentes sobre jornalismo, informação, fake news e comunicação no cotidiano

Foto: Divulgação
Em meio à circulação acelerada de conteúdo nas redes e à presença cada vez mais precoce das crianças e adolescentes em ambientes digitais, duas jornalistas decidiram levar o debate sobre informação, comunicação e leitura crítica diretamente para a sala de aula. O que começou como um convite pontual se transformou em uma frente de atuação da Moara Comunicação, agência fundada pelas sócias-diretoras Fernanda Beatriz e Fernanda Elen, que passaram a desenvolver, de forma voluntária, aulas e encontros sobre jornalismo em escolas públicas e privadas.
A proposta é apresentar o jornalismo de forma acessível, dinâmica e conectada ao cotidiano dos estudantes. Em vez de tratar a profissão como um tema distante, as atividades mostram como a informação circula no dia a dia dos próprios estudantes, como uma notícia é construída, qual é o papel do jornalista e por que aprender a distinguir fato, opinião e desinformação se tornou uma habilidade essencial desde cedo.
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As ações já incluíram encontros presenciais e online com diferentes faixas etárias. Em uma das experiências, Fernanda Beatriz e Fernanda Elen participaram de um bate-papo presencial com as três turmas do segundo ano de uma escola municipal de ensino fundamental, em uma ação vinculada ao projeto Imprensa Mirim, conduzido pela professora Luciana Luz na rede municipal de São Paulo. Com linguagem adaptada à faixa etária, o encontro abordou o papel do jornalista, a importância da verdade nas notícias e o impacto da comunicação na sociedade. Houve também interação com as crianças por meio de perguntas, simulações e recursos visuais preparados especialmente para a atividade.
Mais recentemente, Fernanda Beatriz e Fernanda Elen estiveram com os alunos do 3º ano de outra instituição particular, em Osasco, a convite da professora Bruna Camargo, para uma aula dinâmica e didática sobre o jornalismo. O encontro incluiu explicações sobre informação e prática jornalística, além de atividades em duplas, nas quais as crianças assumiram os papéis de repórter e cinegrafista. A proposta uniu escuta, expressão oral, criatividade e participação.
“No primeiro bimestre, os alunos trabalharam o gênero textual notícia, com interpretação e compreensão de texto em diferentes formatos. Como eu já conhecia o trabalho da Moara e achava muito interessante, quis encerrar esse conteúdo de uma forma prática. A abordagem, a elaboração e a execução das atividades foram ótimas. Com muita paciência e desenvoltura, elas conseguiram atender e dar atenção a todos os alunos”, afirma Bruna Camargo, professora do Colégio Anglo Leonardo da Vinci.
Segundo ela, o retorno se estendeu para além da aula. “A repercussão da atividade foi totalmente positiva. As crianças seguiram ‘sendo’ jornalistas por alguns dias e desfilando com o crachá que elas fizeram para cada criança. Recebemos muitos retornos positivos. As famílias e as crianças gostaram muito, e também houve elogios da coordenação e da direção pela iniciativa e pela maneira como foi realizada”, diz.
Na avaliação da professora Luciana Luz, da rede municipal de São Paulo, trabalhar jornalismo com crianças é uma forma de prepará-las melhor para a vida cotidiana. “A importância de abordar o jornalismo e a comunicação parte de uma preocupação minha de lidar com esse tipo de linguagem para eles estarem mais preparados para o dia a dia, especialmente, para lidar com fake news”, afirma. Ela também relata que os alunos seguiram falando sobre a experiência depois do encontro. “Comentaram por um bom tempo que gostaram da atividade. Cheguei a ouvir algumas crianças perguntando quando elas voltariam”, diz.
Jornalismo, formação crítica e oportunidade de negócio
Para Fernanda Beatriz, a experiência escancarou uma demanda que vai além do ambiente escolar. “A escola sempre foi um espaço de formação para leitura, escrita e pensamento crítico, mas hoje ela também precisa ser um espaço para a compreensão da informação. Quando a gente leva o jornalismo para a sala de aula, não está falando apenas de profissão. Está falando de escuta, responsabilidade, curiosidade, repertório e cidadania”, afirma.
Fernanda Elen acredita que o caráter voluntário da iniciativa não impede uma visão estratégica sobre o seu potencial. “Hoje, esse trabalho nasce de forma voluntária, muito ligado ao nosso propósito como jornalistas e ao desejo de contribuir com a educação. Mas, como empresárias, também enxergamos que existe aí uma necessidade real e uma possibilidade concreta de estruturação como frente de negócio para a Moara, com conteúdo e experiências pensados para escolas”, diz.
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