Reajuste do Bolsa Família não fere lei eleitoral, diz Gilmar Mendes

Decisão do ministro acontece após pedido da AGU para STF reconhecer legalidade da medida anunciada por Lula

Por Da Redação
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Reajuste do Bolsa Família não fere lei eleitoral, diz Gilmar Mendes

Foto: Rosinei Coutinho / STF

O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Gilmar Mendes, decidiu nesta sexta (18) que o reajuste do Bolsa Família anunciado pelo presidente Lula (PT), candidato à reeleição, não fere regras eleitorais. 

O entendimento do ministro é que o aumento concedido se trata somente de uma "atualização dos valores" pelo critério de correção monetária. 

"A providência adotada corresponde, portanto, à atualização periódica dos valores prevista no marco legal que disciplina atualmente a política pública e que já foi reconhecido por esta Corte como instrumento de concretização da ordem proferida nestes autos. [...] Além disso, a medida não importa criação de novo benefício, alteração dos critérios de elegibilidade ou ampliação do universo de beneficiários. Trata-se apenas de atualização dos valores das prestações integrantes de programa social já existente, mediante critério objetivo de correção monetária", diz Gilmar Mendes. 

A decisão de Mendes acontece após um pedido da Advocacia-Geral da União (AGU) para que o STF reconhecesse que o decreto para reajuste do benefício é constitucional. O pedido foi feito em ação em que Gilmar Mendes é relator. 

O ministro afirma ainda que o reajuste é "recomposição da inflação acumulada", sem aumento real. 

"Com efeito, ressalto que o critério adotado para a atualização foi a variação acumulada do INPC entre março de 2023 e agosto de 2026, apurada em 15,04%, de modo que representa mero mecanismo de recomposição da inflação acumulada, e não aumento real", diz. 

A medida anunciada por Lula foi alvo de críticas, considerando que foi adotada a poucos dias do primeiro turno das eleições. O candidato à Presidência Renan Santos (Missão) pediu ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) a suspensão do aumento, avaliando que a decisão tem finalidade eleitoreira. A ação ainda não foi analisada pelo TSE.

O deputado federal Zé Trovão (PL) também havia movido uma ação questionando o reajuste ao TSE, mas o pedido foi rejeitado pelo ministro André Mendonça

O piso de R$ 600, mantido desde o início do mandato de Lula, subiu para R$ 691. O reajuste entra em vigor a partir do dia 19 de outubro, após o primeiro turno das eleições e antes de um eventual segundo turno. 

Segundo o Ministério do Planejamento, o reajuste no Bolsa Família custará em 2026 R$ 5,8 bilhões, e cerca de R$ 23 bilhões em 2027. 

A ação em que a AGU fez o pedido se trata de um processo que tramita no STF. A partir de 2022, a Corte determinou que fosse adotado o pagamento do programa de renda básica para brasileiros em situação de pobreza e extrema pobreza. O relator é Gilmar Mendes. 

Em junho de 2024, Mendes reconheceu que o programa é uma etapa de implementação progressiva da renda básica de cidadania. Um dia antes do decreto que aumentou o valor do benefício, a Defensoria acionou o STF, pedindo que a Corte se manifestasse sobre a pendência de atualização dos valores.

O governo pediu que o STF reconhecesse que o decrato foi editado dentro da legalidade. 

Bolsonaro também decretou reajuste do benefício
A decisão do governo Lula reacendeu comparações com um caso similar em 2022. O então presidente, Jair Bolsonaro (PL), ampliou benefícios sociais durante a campanha eleitoral, também provocando questionamentos da oposição. 

No entanto, especialistas avaliam que o cenário é distinto. O reajuste de 15,04% promovido por Lula apenas recompõe a inflação acumulada desde a recriação do Bolsa Família, sem ganho real para os beneficiários. Já em 2022, Bolsonaro elevou o valor do Auxílio Brasil em 50%, de R$ 400 para R$ 600, além de oferecer o Auxílio-Gás e criou um novo benefício, um voucher de R$ 1 mil para caminhoneiros. 

Em 2024, o STF definiu como inconstitucionais os dispositivos da chamada "PEC Kamikaze", que criava estado de emergência para viabilizar o aumento dos benefícios em 2022. A proposta havia sido aprovada pelo Congresso.

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