VÍDEO: "Salvador é muito paradoxal" diz Barbara Carine, sócia da Escola Maria Felipa sobre encerramento das atividades
Escola Afro-Brasileira anunciou encerramento das atividades após sete anos de funcionamento

Foto: Reprodução / Redes Sociais
A escritora e educadora Bárbara Carine detalhou em vídeo nas redes sociais o encerramento das atividades da Escola Maria Felipa SALVADOR. A organização, que funciona de forma privada possui uma proposta de educação antirracista e a educadora é sócio fundadora do empreendimento.
Segundo a nota emitida pela escola nas redes sociais, dificuldades financeiras foram o motor principal para a decisão de encerrar as atividades. Bárbara ressalta a dificuldade: "A Escola Maria Filipa deveria ser uma escola comunitária, custeada pela Prefeitura de Salvador, essa é a realidade. Só que eu abri como uma escola privada, jurando que essa escola iria ser, enfim, que ia ser celebrada pela cidade e que a escola ia se pagar. Na minha cabeça era isso. Quando as contas não foram fechando, eu fui entendendo que era um negócio", disse.
Ela relata que chegou a adoecer psicologicamente por dificuldades enfrentadas para sustentar o negócio.
"Eu não tinha patrimônio, mas eu tinha estabilidade, eu tinha meu salário, eu tinha financiado o meu apartamento, eu tinha um carro financiado, eu vivia bem, ajudava minha mãe, enfim, as coisas estavam ok na vida. E de repente eu começo a ter dívidas estratosféricas que aquela minha esfera de professor não dava conta", conta.
Outro motivo revelado por Bárbara foi a dificuldade de manter o funcionamento sem apoio do poder público e da sociedade, considerando que se trata de uma escola antirracista na cidade mais negra fora da África.
"Eu fui esperar que Salvador, que não elege um prefeito negro, fosse celebrar uma escola afro-brasileira. Não dava para a gente imaginar isso. Mas a gente foi para um outro caminho. Como é uma cidade com 84% de população negra, acho que é o melhor lugar do Brasil para abrir uma escola afro-brasileira. E não foi bem sobre isso", relata.
Reforça também que Salvador é uma cidade marcada pela política e o lucro em cima de produções de pessoas negras.
"Tem outras questões da construção da identidade da cidade, que está muito marcada nas frentes políticas, nas pessoas que dominam os eventos da cidade, o carnaval, as pessoas que lucram com aquilo que pessoas negras produzem, as pessoas que lucram com a cultura negra na cidade, não são pessoas negras. Então, Salvador é muito paradoxal, E a gente abriu essa escola privada em uma cidade extremamente paradoxal. Então, óbvio que teria essas consequências".
"A Escola Maria Filipe nunca foi para mim uma via de lucro. Não porque não deu lucro, mas porque eu nunca sonhei com isso. Eu nunca esperei que a Escola Maria Filipe pagasse alguma conta minha", completa.
A escola foi fundada por Bárbara em parceria com a sócia Maju Passos.
A unidade da instituição no Rio de Janeiro seguirá em funcionamento.


