Sistema imunológico varia entre populações, diz estudo
Pesquisa aponta impacto em exames e tratamentos

Foto: Tomaz Silva / Agência Brasil
Um estudo da revista Nature (8) aponta que existem diferenças significativas nas células de defesa entre povos de diferentes origens genéticas e geográficas.
De acordo com o estudo, essas variações geram resultados distintos em exames, diagnósticos e tratamentos em cada população.
Pesquisadores reuniram informações de mais de 400 chineses e compararam com dados de populações europeias e japonesas.
Foram observadas variações na quantidade de alguns tipos de células de defesa. Em outros casos, as células eram semelhantes mas funcionavam de forma diferente.
De acordo com os pesquisadores, as variações não estão ligadas somente à genética, mas também a fatores como meio ambiente, histórico de infecções, alimentação e estilo de vida ao longo da evolução das populações.
Ou seja, valores considerado "normais" em exames de sangue não podem ser universais, por exemplo. No entanto, um resultado que parece alterado em uma população também pode ser comum em outra.
Isso implica em alterações em exames e tratamentos. Muitos parâmetros clínicos utilizados atualmente foram definidos a partir de pessoas de origem europeia.
A partir do estudo, médicos e pesquisadores podem criar valores de referência mais adequados a cada população, aumentando a eficácia de tratamentos e precisão dos exames.
O resultado do estudo também explica porque algumas respondem de maneira distinta a vacinas, infecções e doenças. Os pesquisadores destacam que há muitos povos pouco representados nas pesquisas.
Eles defendem que a ciência da saúde seja construída com base na diversidade, ao invés de tratar o organismo humano como igual em todos os lugares.


