Vacina contra dengue começa a ser aplicada pelo Butantan em janeiro
Primeiros imunizados serão os profissionais da área de saúde

Foto: Paulo Pinto/Agência Brasil
O Ministério da Saúde anunciou, nesta terça-feira (9), as diretrizes para utilização da nova vacina contra a dengue, o primeiro imunizante de dose única que foi produzido integralmente no Brasil pelo Instituto Butantan.
As primeiras 1,3 milhão de doses já fabricadas serão dedicadas aos profissionais da Atenção Primária, que atuam nas Unidades Básicas de Saúde (UBSs) e em visitas domiciliares, seguindo a recomendação da Câmara Técnica de Assessoramento de Imunização (CTAI). A previsão é de que o lote inicial esteja disponível até o fim de janeiro de 2026.
Ao longo do anúncio, o ministro Alexandre Padilha destacou a importância de proteger os trabalhadores que lidam diretamente com os primeiros atendimentos de dengue.
“A vacinação já começa com a produção do Butantan, que vai disponibilizar volume suficiente para iniciarmos a imunização dos profissionais da atenção primária em todo o país. A atenção primária é a porta de entrada para os casos de dengue, por isso é fundamental proteger o mais rápido possível esses profissionais”, disse.
Diante da ampliação da capacidade produtiva, o ministério visa estender a vacinação ao público geral. A campanha deverá ser iniciada pelos adultos mais velhos (a partir de 59 anos - e seguir gradualmente até atingir a faixa dos 15 anos).
O aumento da oferta de doses será possível graças a uma parceria entre o Instituto Butantan e a empresa chinesa WuXi Vaccines, que é responsável pela produção em maior escala e pela transferência de tecnologia.
A definição do público prioritário levou em consideração critérios técnicos e o perfil epidemiológico do país, discutidos na reunião da CTAI feita em 1º de dezembro.
Impacto na população
Parte das doses será destinada a uma estratégia específica em Botucatu (SP), que servirá como área de estudo para poder avaliar o impacto da vacinação em massa na dinâmica da doença. Ao contrário do restante do país, o município deverá começar mais rapidamente a vacinação de toda população de 15 a 59 anos.
A expectativa é de que, diante da adesão entre 50% e 50% do público-alvo, já seja possível notar impacto significativo no controle da dengue.
Ao longo da pandemia de Covid-19, Botucatu também participou de uma iniciativa parecida de vacinação em massa. Outros municípios com predominância do sorotipo DENV-3-considerado determinante para o crescimento de casos em 2024, também avaliados para fazer parte da estratégia.
Eficácia
A vacina desenvolvida pelo Butantan mostrou eficácia de 74,7% contra a dengue sintomática em pessoas de 12 a 59 anos e de 89% contra formas graves e com sinais de alarme, de acordo com estudos apresentados à Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), que concedeu o registro ao imunizante na última segunda-feira (8).
O Sistema Único de Saúde (SUS) já oferta uma outra vacina contra a dengue, fabricada por um laboratório japonês e aplicada em duas doses, dedicadas a adolescentes de 10 a 14 anos.
Desde 2024, quando o Brasil se tornou o primeiro país a integrar o imunizante na rede pública, mais de 7,4 milhões de doses foram aplicadas. Para 2026, o Ministério da Saúde assegurou 9 milhões de doses do imunizante, com previsão de mais de 9 milhões para 2027.


